A Origem da Diversidade Cultural da Humanidade – Ev. Luiz Henrique

A Origem da Diversidade Cultural da Humanidade – Ev. Luiz Henrique

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Lição 10 – A Origem da Diversidade Cultural da Humanidade

4º trimestre de 2015 – O Começo de Todas as Coisas – Estudos Sobre O Livro de Gênesis

Comentarista da CPAD: Pr. Claudionor Correa de Andrade

Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva

NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

PONTOS DIFÍCEIS DA LIÇÃO – POLÊMICOS

TEXTO ÁUREO
“[…] Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (Gn 11.6).

VERDADE PRÁTICA
Apesar da multiplicidade de línguas e dialetos, decorrente da confusão de Babel, o Evangelho de CRISTO pode ser perfeitamente entendido em todos os idiomas e culturas.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Gn 11.1-9 – Torre de Babel, um monumento à soberba humana
Terça – Gn 10.20 – Os povos e nações são divididos em línguas
Quarta – Is 66.18 – Povos e línguas contemplarão a glória de DEUS
Quinta – Dn 3.4-7 – Nações e línguas curvam-se

Sexta – At 21.37-40; 27.31 – Paulo, um missionário poliglota escolhido pelo Senhor
Sábado – At 2.1-4 – A reversão de Babel em o Novo Testamento

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – Gênesis 11.1-9

1 – E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. 2 – E aconteceu que, partindo eles do Oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali. 3 – E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume, por cal. 4 – E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. 5 – Então, desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; 6 – e o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. 7 – Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. 8 – Assim, o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. 9 – Por isso, se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra.

 

OBJETIVO GERAL
Mostrar como se deu a diversidade cultural da humanidade.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Saber a respeito da torre de Babel;

Analisar como se deu a confusão de línguas;

Mostrar que a multiplicidade linguística e cultural, depois da Torre de Babel, tornou-se um fato.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de hoje estudaremos a respeito da construção da Torre de Babel. Veremos que um dos fatores que contribuíram para que a depravação da humanidade viesse a crescer de forma vertiginosa foi o monolinguismo. A Terra havia sido purificada pelas águas do dilúvio, mas a semente do pecado estava em Noé e em seus descendentes. Não demorou muito para que o pecado se alastrasse novamente. Já que não havia impedimento quanto a língua, os homens cheios de soberba, e com um espírito de rebelião se unem para fazer um monumento que seria símbolo da sua empáfia. DEUS não estava preocupado com a construção ou com o tamanho da torre, mas com a arrogância que dominava, mais uma vez o coração do homem. O Senhor abomina a altivez, o orgulho (Pv 6.17). Que venhamos guardar os nossos corações destes sentimentos tão nefastos.
PONTO CENTRAL
O monolinguismo contribuiu para que a primeira civilização humana se tornasse uma civilização depravada e distante do Criador.

 

Resumo da Lição 10 – A Origem da Diversidade Cultural da Humanidade
I – A TORRE DE BABEL
1. O monolinguismo.

  1. Uma nova apostasia.
  2. Um monumento à soberba humana.

II – A CONFUSÃO DE LÍNGUAS

  1. Uma cidade à prova d’água.
  2. A torre que DEUS não viu.
  3. Quando ninguém mais se entende.

III – A MULTIPLICIDADE LINGUÍSTICA E CULTURAL

  1. Linguísticas.
  2. Culturais.
  3. Geográficas.

 

SÍNTESE DO TÓPICO I – soberba dos homens da primeira civilização os levaram a desejar construir uma torre, um monumento a soberba humana.

SÍNTESE DO TÓPICO II – Como uma forma de dificultar os intentos perversos dos homens, DEUS confundiu as línguas.

SÍNTESE DO TÓPICO III – A confusão das línguas contribuiu para a multiplicidade linguística e cultural da humanidade

 

PARA REFLETIR – A respeito do livro de Gênesis:
O que levou os descendentes de Noé a construírem a torre de Babel?
Eles queriam fama e desejavam segurança. Foram movidos pelo orgulho.
Como eles construíram a torre?
Eles prepararam o material: tijolos bem queimados e betume.
O que teria acontecido se eles tivessem alcançado o seu intento?
O homem não teria cumprido o mandato cultural que DEUS havia lhe dado.
O que, hoje, separa os seres humanos?
A diversidade linguística, cultural e geográfica.
Que episódio bíblico é considerado o contraponto da torre de Babel?
A proclamação do Evangelho, pois no Pentecostes, “todos foram cheios do ESPÍRITO SANTO e começaram a falar em outras línguas, conforme o ESPÍRITO SANTO lhes concedia que falassem” (At 2.4).

 

CONSULTE – Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 64, p. 41. Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos

 

SUGESTÃO DE LEITURA

Introdução à Teologia da História, Síntese Bíblica do Antigo Testamento – Vol. 1 e Perfeitamente Imperfeito

Comentários de diversos autores com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique

Observações do Ev. Luiz Henrique

CURIOSIDADES – PONTOS DIFÍCEIS DA LIÇÃO – POLÊMICOS

Por que queriam construir uma torre que tocasse o céu?

Resposta:

1- Queriam ser como DEUS;

2- Queriam um nome, uma identificação, não com DEUS;

3- Queriam desobedecer a DEUS que queria que se espalhassem e se multiplicassem e povoassem toda a Terra.

4- Queriam ficar juntos e rebeldes só em um local para se sentirem mais fortes do que DEUS.

 

A ordem de DEUS foi:

Gn 9.1 E abençoou DEUS a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra.

A resposta dos homens foi:

Gn 11.4 E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra

.

Vontade de DEUS – povoassem toda a Terra. – Vontade dos homens – para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.

Os homens disseram Eia… DEUS respondeu: Eia…

Gn 11.7 – Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro

 

O capítulo 11 de Gênesis expõe a história de Babel, concluindo todos os relatos pré-abraâmicos. Além de encerrar a série de narrativas das origens, a história de Babel leva-nos diretamente para a narrativa de Abraão e a conseqüente à formação do povo de DEUS. A história de Babel tem como um de seus intuitos apresentar o ambiente pagão e politeísta do nosso pai na fé, Abraão.

Gênesis 11 mostra que a confusão do idioma, quando DEUS decidiu confundir as línguas da humanidade, ocorreu na quarta geração pós-diluviana. O propósito por trás do relato da Torre de Babel está paralelamente ligado ao mesmo propósito da narrativa de Adão e Eva em Gênesis 3: mostrar a busca pela própria autonomia e usurpar a glória de DEUS.

A Torre de Babel representa a eterna tentativa do ser humano em ser autônomo, ser independente e dono do seu próprio destino. Mas o texto deixa claro que quando o ser humano porfia por esse caminho, ele entra pelo caminho da morte, da rebelião contra a vontade de DEUS.De outro modo, o Dia de Pentecoste representa o ideal de DEUS, por intermédio da Igreja, o Corpo de CRISTO, em viver uma comunhão verdadeira e uma vida que faça sentido para o ser humano. A Torre de Babel é a tentativa da emancipação do homem por si mesmo; o Dia de Pentecoste é DEUS, por intermédio do ESPÍRITO SANTO, emancipando o ser humano. (http://perto-fim.blogspot.com/2015/11/licao-10-origem-da-diversidade-cultural.html)

 

Os primeiros nove versos do capítulo 11 devem ser tratados como parte do capítulo 10, visto fazerem parte das gerações dos filhos de Noé. A seqüência da narrativa mesmo exige esta conexão. Na ordem de tempo estes nove versos do cap. 11 deviam preceder o cap. 10, visto que o espalhamento do povo e sua formação em nações já foi o resultado da confusão das línguas, descritas nestes nove versos. Nós, porém, seguimos a ordem em que se encontram os dados históricos, deixando a cronologia no mérito em que Moisés a colocou.
DEUS primeiro colocou sua vontade escrita no capítulo 10, depois colocou como teve que fazer para que sua vontade fosse satisfeita no capítulo 11.
Não era preciso outro idioma se todos fossem obedientes a DEUS, pelo contrário, o evangelho seria pregado muito mais rápido a todos e todos seriam salvos. Todos seriam realmente irmãos, tanto descendentes se Noé, como filhos de DEUS.

 

A cidade de Babilônia foi resultado da torre de babel. Babel – Confusão de línguas – Babilônia – Portal de “Deus”. primeira cidade fundada depois do dilúvio = Babilônia, cidade mais antiga da Terra. Depois dela existe uma discussão, mas a mais aceita é Nínive.

 

Noé, Sem e Jafé estavam vivos nesta época de Babel, mas como aconteceu na época de Lameque o povo de DEUS se misturou com o povo do maligno (Cam). Noé deve ter lutado contra a torre, explicado que DEUS lhe havia dito que nunca mais destruiria a Terra com um dilúvio, mas Ninrode agora se tornara uma influência poderosa sobre eles por ser um exímio caçador, sua ambição por poder o levou a um ato de rebeldia contra DEUS e assim liderou a construção de uma torre para levar o povo a se tornarem independentes de DEUS. A torre era impermeável, a prova de água.. Queriam independência total de DEUS. Eram aproximadamente 1000 pessoas lideradas por Ninrode.

Noé ainda pode testemunhar sobre o dilúvio para Terá, pai de Abraão e possivelmente para o próprio Abraão. Noé morreu com 950 anos com um belíssimo testemunho de DEUS a seu favor:

 

 

Comentários de BEP – CPAD

11.2 NA TERRA DE SINAR. Sinar é o nome que o AT dá ao território da antiga Suméria e, posteriormente, chamado Babilônia ou o termo geral Mesopotâmia.
11.4 EDIFIQUEMOS… FAÇAMO-NOS UM NOME. O pecado do povo na terra de Sinar foi a ambição de dominar o mundo e dirigir o seu próprio destino, à parte de DEUS, através da união política centralizada, poder e grandes conquistas. Esse desígnio era fruto do orgulho e rebeldia contra DEUS. DEUS frustrou o propósito deles, multiplicando idiomas em seu meio, de tal maneira que não podiam comunicar-se entre si (vv. 7,8). Isso deu origem à diversidade de raças e idiomas no mundo. Nesse tempo, a raça humana deixando a DEUS, voltou-se para a idolatria, a feitiçaria e a astrologia (Is 47.12; ver Êx 22.18 nota; Dt 18.10). As funestas conseqüências deste estado espiritual nos seres humanos é descrita em Rm 1.21-28. DEUS os entregou à impureza dos seus próprios corações (Rm 1.24,26,28), e, com Abrão, Ele prosseguiu dando cumprimento ao propósito da salvação da raça humana (ver v. 31).
11.28 UR DOS CALDEUS. Essa cidade antiga ficava cerca de 160 km a sudeste da cidade de Babilônia, perto do rio Eufrates, na região hoje chamada Iraque. Sin , o deus-lua, era o deus padroeiro dessa cidade.
Revista CPAD – Lições Bíblicas – 1995 – 4º Trimestre – Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas – Comentarista pastor Elienai Cabral

A INTERVENÇÃO DE DEUS SOBRE BABEL
1. Ameaça a unidade da raça humana

  1. Orgulho e autossuficiência
    3. Confusão e dispersão

OBJETIVO – Concordar que se DEUS não tivesse intervido em Babel, seu plano de ocupação plena da Terra não teria se concretizado.

IMPORTANTE

Esclarecer que as características de cada raça foram estabelecidas pela própria Natureza, mediante a vontade divina. Por isso, a cor escura dos camitas, nada tem a ver com a maldição de Noé sobre Cão (Cam), pois é uma consequência de um componente químico, chamado melanina, fornecido pelo Sol, naquele continente.
A destruição de Babel e a confusão das línguas foi um mal necessário, pois o desejo dos descendentes de Noé era o de construir urna torre, para que se estabelecesse como urna unidade universal e um ponto de referencia da idolatria. Por isso, DEUS, sabiamente, a desfez e os obrigou a se dispersarem pelos continentes.

  1. Ameaça a unidade da raça humana (Gn 11.1,2).

Noé e seus filhos, ao saírem da Arca, deixaram as montanhas do Ararate, na atual Armênia, e foram para as partes baixas e férteis que ficam entre o Tigre e Eufrates, a 320 km do mar, onde desembocam estes rios. Foi nesta terra que se iniciou urna nova civilização pós-diluviana. Possivelmente, neste lugar, os homens de então desenvolveram suas habilidades em artes e tecnologias próprias, capazes de planejarem a construção de cidades e um prédio de muitos andares, como Babel.
Mas o destaque destes primeiros versículos, é que os descendentes de Noé se multiplicaram e todos falavam urna mesma língua. Havia urna certa unidade de pensamento e de entendimento, que se manifestava de modo natural, porque era um só povo. Mesmo havendo o reinício da humanidade, o estigma do pecado, herdado de Adão e Eva (Rm 5.12), estava em cada pessoa daquela geração pós-diluviana.
2. Orgulho e autossuficiência (Gn 11.3;4 ).

Por estes mesmos pecados, Lúcifer foi expulso da presença de DEUS (Is 14.12-15). Ele não deixou por menos esta geração pós-diluviana, ao inspirar o sentimento de orgulho e autossuficiência. Dominados por este sentimento, e unidos pela comunicação, através de urna só língua, imaginaram fortalecer o poder humano, construindo urna cidade grande e urna torre que tocasse os céus. Esta intenção revelava;·também; a insegurança deixada pelo Dilúvio. Facilmente, esqueceram da aliança que DEUS havia feito com Noé.

  1. Confusão e dispersão (Gn 11.5-9).

No versículo 5, DEUS resolveu “descer”, quando os homens construíam a cidade e a torre. A expressão “então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre” é urna linguagem especial, para indicar o Todo-poderoso que se move, preocupa-se com suas criaturas e as obras que elas realizam.
No versículo 6, DEUS diz: “O povo é um e tem a mesma linguagem “. Esta declaração divina não significa que a unidade seja. urna coisa má. Entretanto, em relação àquele povo, ela tinha um fim negativo, pois visava confrontar a autoridade divina e estabelecer a autossuficiência humana.
No versículo 7, o Senhor reforça o papel divino, com urna forma plural do pronome pessoal, quando diz: “Vinde, desçamos e confundamos sua linguagem”. Podemos perceber que a Trindade “desceu’.’, para fazer aquele trabalho especial. Possivelmente, os anjos de DEUS fizeram parte da comitiva divina. Na infinita sabedoria e presciência e DEUS, todo aquele episódio obedeceu a um plano especial e milagroso. Foi o resultado dá intervenção divina. que conduziu aquele povo a fazer o que mais temia, ou seja, “espalhar-se pela terra”. Se a mesma língua era suficiente para mantê-los unidos. DEUS produziu na mente deles a confusão da linguagem que tinham e entendiam, e os dispersou para todos os lados e cada grupo, isoladamente, desenvolveu um idioma, pelo qual pudesse se entender e comunicar-se.
CONCLUSÃO

No capítulo 11, ternos a demonstração da soberania divina intervindo na vida humana, para salvá-la.

DEUS não destruiu a torre de Babel, por recear que o homem pudesse elevá-la até os céus, pois isto era impossível. Esta atitude do Criador, entretanto, foi por causa da desobediência dos descendentes de Noé, pois o Senhor lhes falara que crescessem, multiplicassem e enchessem a Terra.
Todos nós, os seres humanos, somos descendentes dos três filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé. Após a destruição de Babel, os pós-diluvianos espalharam-se, imediatamente, por toda a parte. Daí, a origem das civilizações indígenas, as quais já se encontravam nas Américas, quando os europeus as descobriram.

Revista CPAD – Lições Bíblicas – 1995 – 4º Trimestre – Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas – Comentarista pastor Elienai Cabral

Gênesis a Deuteronômio – Comentário Bíblico Beacon – CPAD – O Livro de Gênesis – George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.

A confusão de línguas (11.1-9). O cenário desta história curta, mas intrigante, forma-se depois do dilúvio com os descendentes de Noé que se agruparam por uma língua comum e logo começaram a migrar para novos territórios. Cronologicamente, a história está relacionada com as fases mais primitivas de migração, pois 10.25 fala de uma divisão de povos nos dias de Pelegue e 11.8 menciona um espalhamento de clãs. O relato foi colocado depois das três genealogias do capítulo 10 para que sua relação com a profecia de Noé (9.25-27) não fosse perturbada. Mudando-se da região do monte Ararate, os povos se instalaram em Sinar (2), que é o vale da Mesopotâmia, o local dos vestígios mais antigos da civilização por nós conhecido. O vale é banhado pelos rios Tigre e Eufrates, sendo muito fértil. A história nos conta que, em assembleia, os novos habitantes de Sinar tomaram uma decisão totalmente fora da vontade de DEUS. O propósito da ação proposta é claro. Queriam fama: Façamo-nos um nome (4). E desejavam segurança: Para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Ambas as metas seriam alcançadas somente pelo empreendimento humano. Não há dúvida sobre a ingenuidade das pessoas. Não tendo pedras, fabricaram em seu lugar tijolos de barro que depois queimaram bem (3). Viram a utilidade do betume (asfalto) abundante na área e o usaram como cal ou argamassa. Trabalharam com persistência até que houvesse bastante tijolo para o projeto de construção. O interesse principal deste povo estava numa torre (4), embora também houvesse a construção de uma cidade. A torre ia alcançar os céus. Nada é dito sobre um templo no topo da torre, por isso não está claro se a torre era como os zigurates que houve mais tarde na Babilônia. Havia morros enormes e artificiais feitos de tijolo, alguns elevando- se até 90 metros acima da planície circunvizinha. Colocados no centro das cidades, eram encimados por um templo dedicado a uma deidade pagã e, em inscrições antigas, há a descrição de que chegavam até o céu. O paganismo estava indiretamente envolvido nesta história, pois havia um ímpeto construtivo em direção ao céu e o único verdadeiro DEUS foi definitivamente omitido de todo o planejamento e de todas as metas. Mas DEUS não estava inativo. Ele observava o que estava acontecendo e logo mostrou sua avaliação da situação. O homem não foi cria­ do como ser independente de DEUS. Ser “à nossa imagem” (1.26) significava que o homem estava dotado de grandes poderes e que era totalmente dependente de DEUS para sua essência de vida e razão de ser. Há ironia no monólogo do Senhor. Os povos estavam unidos, tinham comunicação aberta entre si, contudo arruinaram estas bênçãos em rebelião contra o Criador. DEUS não permitiria ser ignorado, e a loucura da ilusão humana de que posses e atividades criativas eram insuperáveis não ficaria sem confrontação. O julgamento de DEUS logo manifestou estas ilusões. Para demonstrar que a unidade humana era superficial sem DEUS, Ele introduziu confusão de som na língua humana. Imediatamente estabeleceu-se o caos. O grande projeto foi abandonado e a sociedade unida, mas sem temor de DEUS, foi despedaçada em segmentos confusos. Em hebraico, um jogo de palavras no versículo 9 é pungente. Babel (9) significa “confusão” e a diversidade de línguas resultou em balbucios ou fala ininteligível.

Gênesis a Deuteronômio – Comentário Bíblico Beacon – CPAD – O Livro de Gênesis – George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.

 

GÊNESIS – Introdução e Comentário – REV. DEREK KIDNER, M. A. – Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo – SP, 04602-970

FIM E PRINCÍPIO: BABEL E CANAà(11:1-32)

11:1-9. Babel.

A história primeva atinge seu clímax infrutífero quando o homem, cônscio das suas novas capacidades, prepara-se para glorificar-se e fortalecer-se mediante um esforço coletivo. Os elementos componentes do relato, foram sempre uma característica do espírito do mundo. O projeto é tipicamente grandioso. Os homens o descrevem excitadamente uns aos outros como se fosse a realização última — o que lembra muito bem as glórias do homem moderno em seus projetos espaciais.

Ao mesmo tempo, deixam entrever sua insegurança ao reunir-se em multidão para preservar a sua identidade e gerir os seus bens (4). A narrativa capta o absurdo e a gravidade simultâneos do fato. Mesmo os materiais são provisórios, como o assinala o versículo 3, mas os construtores são mais fracos ainda. Há ironia no eco do alarido dos homens, “ Vinde … Vinde …” que encontramos nas palavras de DEUS,

“Vinde, desçamos…” , e o fim é um anticlímax: “cessaram de ” . A cidade semi-construída é um monumento mais que suficiente deste aspecto do homem. Contudo, isso também é levado a sério. Aos ouvidos modernos, 6 é

totalmente adequado: “ Isto é só o começo…; agora, nada do que eles se propuserem … ser-lhes-á impossível” (RSV). A nota de prognóstico assinala o interesse de um Criador e de um Pai, não de um rival; é como o que disse o nosso Senhor: “ Se em lenho verde fazem isto…” (Lc 23:31). Isto deixa claro que a unidade e a paz não são os bens últimos: é melhor a divisão do que a apostasia coletiva (cf. Lc 12:51).

O fim revela a decisiva mão de DEUS nos quefazeres humanos. É questão reconhecida que a incompreensão mútua tem suas causas naturais, tais como as próprias atitudes de orgulho e temor expressas no v. 4 (que poderia ser o moto do nacionalismo moderno); mas, em última instância, é a justa disciplina aplicada por DEUS a uma raça insubordinada.

O pentecostes iniciou um novo capítulo da história, na articulação de um Evangelho em muitas línguas. A inversão final é prometida em Sf 3:9: “ Sim, naquele tempo mudarei a linguagem dos povos para uma linguagem pura, para que todos invoquem o nome do Senhor e o sirvam de comum acordo” (RSV).

  1. Uma linguagem (AV, RV, AA. Literalmente, “ uma [série de] palavras” ) é preferível a RSV: poucas palavras, embora uma e outra sejam possíveis (ver o hebraico de Ez 37:17; Gn 27:44 respectivamente).

O episódio deu-se logo depois dó dilúvio (cf. 10:5, etc.) ou, de outro modo, limitou-se a um povo particular, se a terra aqui significar “ território” . (A impressão de que este é um grupo de colonizadores com medo de sofrer ataque (2,4) empresta algum apoio à segunda interpretação.)

  1. Babel (Babilônia) dava-se a si própria o nome de Babilônia “portal de DEUS” (que pode ter sido uma lisonjeira reinterpretação do seu sentido original).1 Mas. mediante um jogo de palavras, a Escritura sobrepõe o rótulo mais verdadeiro,bãlal (“ele confundiu” ). Na Bíblia, esta cidade veio a simbolizar crescentemente a sociedade ateísta, com suas pretensões (Gn 11), perseguições (Dn 3), prazeres, pecados e superstições (Is 47:8-13), suas riquezas e sua eventual ruína (Ap 17,18).

Uma de suas glórias foi seu enorme ziggurat, montanha artificial encimada por um templo cujo nome, Etemenanki, sugeria a ligação de céu e terra. Mas foram os seus pecados que “se acumularam até ao céu” (Ap 18:5). No Apocalipse ela é contrastada com a santa cidade que desce “do céu”, cujas portas abertas unem as nações (Ap 21:10, 24-27).

GÊNESIS – Introdução e Comentário – REV. DEREK KIDNER, M. A. – Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo – SP, 04602-970

 

Estudo no livro de Gênesis – Antônio Neves de Mesquita – Editora: JUERP

A TORRE DE BABILÔNIA OU BABEL E A CONFUSÃO DAS LÍNGUAS

Os primeiros nove versos do capítulo 11 devem ser tratados como parte do capítulo 10, visto fazerem parte das gerações dos filhos de Noé. A seqüência da narrativa mesmo exige esta conexão. Na ordem de tempo estes nove versos do cap. 11 deviam preceder o cap. 10, visto que o espalhamento do povo e sua formação em nações já foi o resultado da confusão das línguas, descritas nestes nove versos. Nós, porém, seguimos a ordem em que se encontram os dados históricos, deixando a cronologia no mérito em que Moisés a colocou. O primeiro verso do capítulo 11 declara que antes da confusão das línguas todo o mundo de então “era de uma mesma língua e de uma mesma fala”. Qual seria esta língua, ainda ninguém pôde dizer. Antigamente, tanto judeus como cristãos criam que essa língua era a hebraica e ainda há hoje quem assim pense, sendo que só a tribo que ficou fiel a Jeová, a de Sem, teve o privilégio de reter a língua original, língua esta que foi falada no Éden e continuou depois da queda e da torre de Babel. No entanto, os progressos da filologia não deixam muita base a esta teoria. A origem das línguas é um assunto assaz difícil, e algumas delas têm sua história perdida nas brumas do passado, sem que o filólogo lhes consiga achar o começo. A língua hebraica é uma destas. Se ela foi a língua original ou não, é, como vimos, difícil afirmar e difícil negar, mas, caso não seja, deve ter tido um princípio como as outras, e, neste caso, qual teria sido? A nação hebraica veio de Abraão, e Abraão veio de Ur dos Caldeus, e a língua que se falava ali não era o hebraico como o temos nos escritos do V.T. A língua caldaica desse tempo era a antiga língua da Acádia que, provavelmente, foi a língua primitiva da terra. Os documentos ou tijolinhos descobertos nas ruínas das cidades contemporâneas de Abraão, todos são do tipo cuneiforme, e só temos que admitir que esta foi a língua de Abraão antes de mudar-se para Canaã. É, pois, difícil achar-se o ponto de partida, a gênese do hebraico. Crêem alguns, que ela começou a se desenvolver com o intercurso de Abraão com os povos da Palestina e se elaborou durante os anos que os hebreus permaneceram no Egito. À primeira vista, tomando as diversas estórias que se relacionam com a vida de Abraão, parece que uma era a língua tanto dos hebreus como dos heteus e mesmo egípcios, porque Abraão desceu de Padã-Arã e pôde comunicar-se com os heteus que moravam na terra. Desceu ao Egito por causa da terrível fome na Palestina, e lá o encontramos em franco intercurso com os egípcios, como se a sua língua fosse a deles. Entretanto, nada há de similaridade entre os hieróglifos do Egito e a língua hebraica. O problema parece resolver-se, se atentarmos em que haveria pontos comuns entre todas e que não seria preciso muitos meses para qualquer pessoa, numa terra de língua estranha, se poder fazer compreender. Este assunto, conquanto seja fascinante e mereça acurado estudo, não pode ser estudado aqui, ficando para a filologia comparativa decidir a questão, se puder.

Crêem alguns expositores que Abraão abandonou sua língua quando chegou a Canaã e adotou a língua da terra, e que, quando desceu ao Egito, já falava a língua corrente na terra de Canaã, quer fosse o cananeu ou heteu ou qualquer outro idioma, e que dessa língua veio depois o hebraico. Alguns monumentos descobertos têm inscrições com caracteres hebraicos, o que leva a crer que o hebraico já seria falado na Palestina quando da vinda de Abraão para ali. Em Isaías 19:18 há uma expressão que parece denotar que a língua de Canaã era falada até mesmo no Egito; Mas esta Escritura ou profecia visa ao futuro e pouca força tem para mostrar que a língua de Canaã era o hebraico e que foi levada por Jacó para o Egito e na volta do povo ainda era falada na terra. É admissível que houvesse pontos de contato entre as diversas línguas, ou mesmo similaridade, mas é difícil crer que o hebraico fosse falado na Palestina no tempo de Abraão. Não há dúvida de que havia um grande grupo de línguas irmãs, ainda assim bem diferentes, mesmo nos caracteres, como sejam, a etiópica, a árabe e mais tarde a aramaica, e talvez elas sejam filhas de uma outra língua, provavelmente morta. As recentes descobertas arqueológicas lançam muita luz sobre o problema filológico, especialmente no que se refere ao hebraico. Sabe-se que o hebraico é língua flexionável, portanto, do ramo indo-germânico ou europeu, enquanto as demais línguas antigas são todas do tipo cuneiforme ou hieroglífico, como a egípcia. Alguns admitem o ano de 1.600 para o início da língua hebraica; outros, a colocam em 1.500, mais ou menos. Dá-se, Igualmente, como terra original desta língua a Península do Sinai. As tabuinhas encontradas em Serabite estão escritas num hebraico arcaico. Entre as diversas línguas usadas no Seminário de Raz-Shanra, no norte da Palestina, o hebraico era uma delas. O hebraico compõe-se de 22 letras, enquanto os alfabetos grego e latino têm 24, (quase o mesmo número). Há, pois, certa relação entre o hebraico e as línguas neolatinas. Quem foi o seu autor? De onde veio? Já se admite que Moisés, no Egito ou mais tarde em Midiã, organizou o alfabeto hebraico, o qual depois foi levado ao norte da Palestina e, pelos fenícios, ao mundo ocidental, dando a estes a glória de serem os seus inventores. No campo da filologia, há muito que investigar, mas a glória da Invenção do alfabeto está errada: não foram os fenícios os seus inventores. Os livros do Pentateuco foram escritos no hebraico; logo, esta língua existia no tempo de Moisés. Para não deixar o assunto sem dizer uma outra palavra sobre qual seria a primitiva língua do mundo antes da confusão, mencionarei, ligeiramente, alguns conhecimentos que o estudo do assunto tem trazido à luz. Como já vimos em Gênesis 11:1, diz-se que toda a terra era originalmente de uma mesma língua. Este problema tem sido para a filologia o que a pedra filosofal foi para a alquimia; tem estimulado exaustivos estudos e conseguido arranjar um volumoso material; e ainda que tudo isto não tenha compensado o esforço despendido, tem, todavia, aberto o caminho para as mais brilhantes descobertas no campo intrincado da filologia. Crendo, como diz o relato divino, que houve um tempo em que só existia uma língua, conjeturou-se que esta primitiva língua ainda existiria ou pelo menos poderia ser descoberta entre os muitos dialetos e línguas do mundo. Daí, as mais penosas investigações no estudo comparativo das línguas, as mais dispendiosas expedições a terras longínquas, e um enorme vocabulário colecionado e a mais angélica paciência, examinando e comparando tudo isto, tomando em consideração a idade de cada uma das línguas sujeitas ao estudo, a fim de descobrir a língua mãe. Muitas conclusões prematuras foram tiradas, e cada qual dos investigadores reclamava para si o privilégio de haver descoberto a preciosa língua materna. À medida, porém, que o estudo continuava, a maior soma de material era adquirida, mas se foi tornando patente que o problema não era de tão fácil solução e muito restava fazer para descobrir o alvo almejado, e que todas as conclusões precedentes tinham sido prematuras. Pensava-se que a mera similaridade de sons entre duas ou mais línguas fosse suficiente para denunciar uma origem comum, mas em breve se verificou que isso pouco contribuía para desvendar o mistério e que essas similaridades eram casuais. A presença de palavras iguais em duas línguas foi também admitida, como prova de que ambas provinham de um tronco comum, ou uma provinha de outra, sem indagar se uma tinha tomado tais palavras por empréstimo da outra ou não. Por exemplo, há no Português um grande número de palavras de origem saxônica. Será isto suficiente para provar que o Português e o Inglês tiveram a mesma origem? Esta suposição breve se esvaeceu também. Assim que a mera relação ou similaridade entre duas ou mais línguas, tomada a princípio como ponto de partida seguro, teve de ser abandonada e ser nova trilha procurada. Tiveram de deixar a superfície do assunto, e penetrar até ao âmago, e logo que esse curso foi adotado, uma completa revolução se efetuou em todas as noções e concepções prévias e, a despeito do grande número de línguas e da enorme distância que separa muitas delas, a mais significativa similaridade de estrutura e vocabulário se revelou aos olhos dos filólogos. Daí em diante foi relativamente fácil a classificação em famílias e grupos, de modo que as mais recentes investigações reduzem a três grupos principais todas as línguas do mundo:1. As línguas isoladas, ou que não desenvolveram as primitivas raízes, nas quais não há flexão nem meio de exprimir a relação de número, pessoa ou gênero. As raízes permanecem estagnadas, sem desenvolvimento ou evolução. Para formar o plural ou gênero, ajunta-se palavra a palavra, sem nexo, afinidade ou coerência. O plural de um nome é feito pelo ajuntamento de dois nomes iguais no singular, como “casa” mais “casa”, igual a “casas”. A língua dos primitivos babilônios, e que, sem dúvida, é vizinha da língua mãe, é desse tipo. O hebraico apresenta vestígios disso (II Reis 3:16).

  1. As línguas aglutinadas, que representam um grande avanço sobre as isoladas. Possuem já as várias formas da linguagem, suportando modificações de forma, para expressar a idéia; a este grupo pertence a maioria das línguas orientais.
  2. As línguas flexionáveis, as mais desenvolvidas e perfeitas. Estas línguas são faladas pela raça indo-europeia ou jafetita e pela raça semita. Ambas pertencem ao Velho e Novo Testamentos.

A língua semita, o hebraico, é a língua em que o V.T. foi escrito. Talvez a mais rica e flexionável das línguas indo-européias seja a grega, usada no N.T. O sânscrito, que se crê ser a língua mãe do grego, pertence a este grupo. Tomando estas conclusões como um todo, parece que estamos em vias de resolver o assunto de qual foi a língua a que se refere Gênesis 11:1, mas, infelizmente, não é assim. É lógico que a língua mais elementar destes grupos seja a mais próxima do original, mas, assim mesmo, o tempo operou tantas transformações, que esta mesma não representa o tipo primitivo. Ao filólogo cabe dissecar, no laboratório de sua perspicácia e argúcia científica, o corpo desta língua rudimentar e ver o que o tempo lhe acresceu, e do restante verificar se é ou não a primitiva. Mas, há duas dificuldades insuperáveis, a nosso ver: primeiro, faltará um ponto de contato no processo comparativo, para se poder afirmar que esta língua, separados os elementos acrescidos através dos séculos, é realmente a língua primitiva; em segundo lugar, é impossível, pela mesma razão, saber o que foi original e o que foi acrescentado. Assim que, é difícil sair do labirinto filólogo. Entretanto, não há que desanimar. As investigações nos têm levado, talvez, bem perto do alvo, e se ainda não pudermos chegar lá, pode ser que futuros conhecimentos nos removam o resto dos obstáculos, e possamos deleitar-nos no estudo das línguas que Adão, Noé, Sem, Cão, Jafé, Ninrode e o resto de nossos antepassados falaram; e se nunca chegarmos a esse paraíso, consolemo-nos com a verdade de que antes da confusão das línguas, na torre de Babel, “toda a terra tinha uma mesma língua e uma mesma fala”. Como ficou dito, a narrativa do cap.10 está em conexão com o cap.11:2, que terminou na confusão de línguas e conseqüente dispersão da raça. Este verso parece indicar que o povo estava ainda morando nas imediações da terra de Arará, onde a Arca parou. Se Arará é a mesma Armênia, o que é duvidoso, então o povo começou a mover-se para o Oriente, até a planície de Sinear ou Babilônia, numa extensão de 220 léguas, aproximadamente. Como a Armênia é um país extremamente montanhoso, é possível que o povo seguisse o curso do rio Eufrates numa extensão considerável, até chegar ao imenso planalto na terra de Sinear. Ainda que mais de 100 anos já tivessem passado depois do Dilúvio, devemos pensar que o povo não era ainda muito numeroso e que tal emigração não era difícil; ao mesmo tempo, é crível que alguns ficassem nas terras da Armênia. O território ocupado abrangia os antigos impérios da Assíria e Babilônia.

 

Tentativa de Centralização

Logo que chegaram a essa terra fértil e agradável, surgiu a idéia da formação de um grande centro, com meios de escapamento, no caso de outra catástrofe como a do Dilúvio: fundar uma cidade e erigir uma torre que tocasse os céus. Não é preciso supor que o fim desta torre fosse insultar e desafiar a DEUS, mas (Nota de Ev. Henrique – também) prover os meios de segurança e refúgio (Nota de Ev. Henrique – contra uma possível ação de DEUS). A falta maior estava em que a ordem de DEUS era povoar a terra por meio de dispersão, e eles queriam ficar juntos. E disseram uns aos outros: “Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E tijolos serviram-lhes de pedra, e betume de cal. E disseram: Eia, edifiquemos uma cidade e uma torre cujo topo toque nos céus e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.” Justamente o contrário do que DEUS tinha ordenado. Havia um motivo: “façamo-nos um nome”. Havia um receio: ser espalhados pela face de toda a terra. A empresa era digna da ambição mundana de Ninrode. Conforme o cap. 10:10, Babel ou Babilônia foi a primeira cidade do mundo. Assíria, a segunda, se aceitarmos a tradução comum de 10:11. Nínive, antiga capital do Império da Assíria, foi edificada depois por Ninrode, mas preferimos a outra tradução já mencionada, que será: “E desta forma saiu Assur e edificou a Nínive… em lugar de … saiu à Assíria”; e, enquanto Ninrode era descendente de Cão, Assur era de Sem, e o povo assírio foi semita, e não camita. Os últimos anos têm assistido ao ressurgimento de toda esta primitiva civilização, segundo crêem os arqueológistas. Os tabletes de tijolo em que escreviam estes antigos ninrodianos ou acádios têm jorrado verdadeiros caudais de luz sobre a historicidade da narrativa nestes capítulos, e a Babilônia antiga tem sido desenterrada dos escombros do passado, e sua literatura fala-nos com a mesma clareza que aos seus contemporâneos. A literatura em português é paupérrima demais neste assunto, mas a inglesa e a alemã são fartas. Estas investigações foram levadas a efeito para certificar se a narrativa bíblica era histórica ou mitológica ou mesmo fictícia, diante dos formidáveis ataques do racionalismo alemão, e há mais de 50 anos que se escava o solo oriental onde floresceram estas civilizações, enchendo os museus da Europa e América com preciosos documentos comprobatórios de que de fato o relato bíblico está baseado em história bem documentada. Se é histórica a cidade de Babel, também o é a torre de Babilônia. As duas caem ou ficam de pé juntas. Cria-se, nos círculos intelectuais conservadores, que, a despeito da existência de tal torre construída e destruída no tempo de Ninrode, DEUS nada teria deixado que nos pudesse dar o consolo de ver, pelo menos, os alicerces. Josefo, historiador judaico, reproduziu a tradição corrente entre os judeus de que DEUS tinha demolido até aos fundamentas essa torre, com raios e coriscos, de maneira a não deixar vestígios de sua existência. É possível que isto acontecesse, mas Moisés nada diz a repeito. As recentes investigações afirmam ter-se encontrado na elevação que tem o nome árabe de Birs Nimrod o antigo local da torre. Nabucodonozor encontrou estes restos de ruínas, reedificou-os e embelezou-os, constituindo uma das belezas do seu reino. Mas, recentes informações afirmam que os próprios alicerces da torre foram descobertos e medidos, dando uma área suficientemente grande para suportar um monumento de estupenda altura. Talvez o futuro ainda revele muita coisa sobre este passado, tão importante em conexão com a Bíblia.

 

Intervenção Divina

Os versos 5-7 descrevem a descida de Jeová para ver a torre. A linguagem com que Moisés descreve Jeová é antropomórfica, isto é, põe DEUS em condições humanas, descendo para ver a torre, como se a DEUS houvesse qualquer coisa invisível. É grande maravilha como o Todo-poderoso se adapta às condições humanas, para fins redentores. Jeová desceu, viu a torre, viu também que todo o povo tinha uma mesma língua, e determinou fazer-lhes justamente o que eles temiam: espalhá-los pela face da terra.

“Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro”. Mais uma vez notamos Jeová empregando o plural, como se outras pessoas fossem convidadas a participar da ação. Jeová, desceu ali, confundiu a língua do povo e o espalhou por toda a terra. A confusão das línguas deve ter sido uma formidável lição para os ninrodianos e um dos mais estupendos milagres. DEUS lançou a semente da confusão nas línguas, e até hoje, à medida que a terra se vai povoando, novas línguas vão aparecendo. É bem possível que fosse tão radical a diferença entre a língua original e as outras que surgiram do ato divino, que achar qual foi a original seja um problema demasiado difícil para desafiar o intelecto humano. Os críticos, visto não poderem compreender o problema, lançam mão de diversos meios para explicar o fenômeno, tais como a hipótese documentária ou a existência de mais um documento onde Moisés teria copiado este relato, e que um dos documentos é espúrio, sem base histórica. Afirmam que somente o capítulo 10 é histórico e que os 9 versos do capítulo 11 são invenção. Que o capítulo 10 reconhece as diversas famílias espalhando-se por toda a terra, levadas pelo instinto natural da emigração e conquista, e que as diversas línguas são o resultado desta dispersão e separação de um povo de outro. Quando, porém, têm de dizer por que há tais diferenças irreconciliáveis entre as muitas línguas, refugiam-se na filologia e no fato de que ela ainda é muito nova e está atrasada. Isto é um simples meio de pôr à parte o que o homem não pode compreender e uma presunção tola de negar a intervenção divina no curso da história humana. Mas estes críticos terão de sofrer a decepção de ver ruir suas idéias, enquanto que a narrativa bíblica continua inalterável, século após século. Nada há que possa explicar a diferença fundamental entre as principais línguas senão um fenômeno

como o descrito aqui. Se fosse uma questão evolutiva de uma língua para outra, por causa das condições locais, fácil seria identificar ou achar a língua original .Mas não; há um ponto em que o labirinto é tal que todas as sutilezas filológicas caem por terra e deixam o sábio estarrecido. O Dr. Conant, citado por Carroll, em seu livro sobre Gênesis, diz: “A diversidade de línguas da terra apresenta um problema que a filologia tem em vão procurado resolver. A filologia comparativa tem, entretanto, mostrado que as muitas línguas diferentes são agrupadas por afinidades comuns, como ramos da mesma família, tendo todos a mesma língua original, como mãe comum. Não obstante o grande número de línguas diversas, todas elas podem ser ligadas a umas poucas línguas maternas originais. A dificuldade jaz na diversidade essencial destas poucas primitivas línguas, sem que exista a mais remota afinidade que denuncie uma origem comum ou uma relação histórica, problema este, para o qual a filologia comparativa não pode encontrar solução. Os críticos não podem achar explicação natural para o problema e se recusam a admitir o sobrenatural. O problema resolve-se facilmente, aceitando-se a intervenção divina no curso da história humana. Havia uma língua original. DEUS aparece e multiplica esta língua em diversas outras, digamos, três ou oito. Destas, outras surgiram no curso da História, as quais, por um processo dedutivo, podem ser investigadas até à sua origem, em que se encontrarão estas três ou oito: mas, destas, até a única original, não há jeito de chegar, porque, quando DEUS a dividiu, não deixou vestígio de seu estado original. De acordo com isto, serão baldados todos os esforços humanos para desvendar o mistério. Qualquer que tenha sido a língua dos ninrodianos antes da confusão, perdeu-se, morreu, e o ponto de partida agora deve começar aqui, e o passado ser deixado com o infinito soberano. A Bíblia não pode ser entendida sem levarmos em conta , a parte que DEUS tem tomado na história do povo que ela descreve. Fora disto, é entrar num beco sem saída, é especular e encher a terra de problemas e dificuldades desnecessárias. Conquanto pareça à mente humana difícil resolver este assunto e outros iguais, ele não é tão difícil como os sábios o têm feito. Os que negam a historicidade deste e de outros eventos, porque não os podem compreender nem explicar, e que por isto procuram evasivas e interpretações sui generis, nada têm produzido que nos ajude a compreender a Bíblia ou a história dos nossos antepassados.

O nome da cidade que os pós-diluvianos edificaram ficou sendo Babel, porque ali DEUS confundiu suas línguas. Babel significa “confusão”. Daí vem o nome grego Babilônia. A existência de uma cidade tão antiga, com um nome tão significativo, é fato de alguma importância que não pode ser posto de lado, a gosto de quem quer que seja. Babel tem permanecido de geração em geração, de milênio em milênio, como o indicador divino apontando para o quadro tétrico desenrolado na confusão das línguas, como uma lição de que o homem procura debalde executar seus planos contra a ordem divina. O caminho de DEUS é sempre o mais curto, por mais sinuosidade que ofereça. “Daqui Jeová os espalhou pela face de toda a terra.”

Estudo no livro de Gênesis – Antônio Neves de Mesquita – Editora: JUERP

 

 

Referências Bibliográficas (outras estão acima)

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.

Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.

BÍBLIA ILUMINA EM CD – BÍBLIA de Estudo NVI EM CD – BÍBLIA Thompson EM CD.

CPAD – http://www.cpad.com.br/ – Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP – Bíblia de Estudos Pentecostal.

VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE – http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

www.ebdweb.com.br – www.escoladominical.net – www.gospelbook.net – www.portalebd.org.br/

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm

Dicionário Vine antigo e novo testamentos – CPAD

GÊNESIS – Introdução e Comentário – REV. DEREK KIDNER, M. A. – Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo – SP, 04602-970

Gênesis a Deuteronômio – Comentário Bíblico Beacon – CPAD – O Livro de Gênesis – George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.

Revista CPAD – Lições Bíblicas – 1995 – 4º Trimestre – Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas – Comentarista pastor Elienai Cabral

Gênesis – Comentário Adam Clarke

Revista CPAD – Lições Bíblicas – 1995 – 4º Trimestre – Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas – Comentarista pastor Elienai Cabral

Revista CPAD – Lições Bíblicas 1942 – 1º trimestre de 1942 – A Mensagem do Livro de Gênesis – LIÇÃO 2 – 11/01/1942 – A CRIAÇÃO DO HOMEM – Adalberto Arraes

Estudo no livro de Gênesis – Antônio Neves de Mesquita – Editora: JUERP

Publicado no site do Ev. Luiz Henrique

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