A Morte de Jesus – Aqui eu Aprendi

A Morte de Jesus – Aqui eu Aprendi

E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou” Lucas 23.46

Ele era judeu, nascido em Belém da Judeia. Morador de Nazaré, norte da Galileia. Era um cidadão da Terra de Canaã, a Palestina da atualidade, o local onde está fixada a nação contemporânea de Israel. Filho de carpinteiro, do seu pai José, esposo de Maria, sua mãe, Jesus de Nazaré cresceu e desenvolveu-se como qualquer outro ser humano. Aos trinta anos ele iniciou a sua peregrinação na terra de Israel para pregar uma mensagem contundente. Ele dizia que o Reino de Deus havia chegado a Terra e este reino era diferente daquele dos homens. O Reino de Deus é uma dimensão dominada pelo o amor do Altíssimo. E o Nazareno é a plena encarnação desse amor para com a humanidade (leia João 3.16).

Por falar de amor, mansidão, humildade, perdão e altruísmo, o homem de Nazaré incomodou muita gente poderosa de sua época. Sua mensagem lhe custou a liberdade. Ele foi constrangido, perseguido, humilhado, odiado e preso. Isto mesmo. Parte da população judaica, instigada pelos seus líderes religiosos, preferiu libertar um criminoso a Jesus (Mt 27.15-17,21; 15.6,7,11,15). O Meigo Nazareno foi condenado a Cruz do Calvário, uma das piores penas capitais executadas pelo Império Romano do primeiro século da era cristã.

Jesus de Nazaré foi crucificado. Morto. Todos assistiram: sua família, particularmente a sua mãe, os seus discípulos, os judeus e os romanos. Apesar de perseguido por fazer o bem, o nosso Senhor sabia da sua missão redentora: Era preciso morrer para salvar o pecador (Lc 2.25-38). Mas os seus algozes não tinham noção dessa missão de Jesus. Por isso o bateram; rasgaram a sua carne; arrancaram a sua barba; furaram a sua cabeça com a coroa de espinho; deram-lhe uma cruz para caminhar até o calvário; o crucificaram; transpassaram uma lança em seu peito. Jesus morreu!

Perguntar ao nosso aluno se ele tem a consciência do significado da morte de Jesus Cristo é uma forma de desenvolver uma reflexão interior nele. Explique-o que o Espírito Santo pode fazê-lo experimentar o que milhares de pessoas há mais de dois mil anos experimentaram em suas vidas: o constrangimento de Jesus morrer em meu lugar. Diga que era para você e o seu aluno estar no lugar de Jesus! Sim, eu quem deveria está lá!

Jesus de Nazaré sofreu, foi humilhado e entregue nas mãos dos homens. O seu sangue derramado e o seu corpo partido na cruz foram um brado de amor pela humanidade. Por amor ele foi condenado. Foi por amor, por amor, por amor… Pense nisso

Ensinador Cristão CPAD – nº62 pg.42

Jesus não morreu como mártir ou herói, mas como o Salvador da humanidade.

A Cruz de Cristo é o centro do Evangelho! Sem a cruz hão haveria salvação e as bênçãos dela advindas. Precisamos com urgência voltar a pregar a mensagem da Cruz. O apóstolo Paulo disse que “aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1 Co 1.21). Uma tradução mais fiel ao texto seria: “Aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura do que é pregado”. É o conteúdo da mensagem da cruz, Cristo, que traz salvação. Não é qualquer mensagem ou qualquer coisa que se diga sobre o cristianismo que produz salvação. Já vi um pregador dizer que se pega peixe até mesmo com esterco e que da mesma forma alguém pode ser salvo com qualquer tipo de mensagem. Não é de admirar que haja tantas igrejas com gente doente. A salvação vem quando se prega a Cristo, o conteúdo da mensagem da cruz e não uma mensagem corrompida. O que era pregado pelos apóstolos? Paulo responde: “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Paulo ainda diz que “longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (G1 6.14).

A cruz é o único lugar onde morrer significa viver. Ao comentar o capítulo 11 da primeira carta de Paulo aos coríntios, o escritor Warren Wiersbe observou que “é impressionante o desejo de Jesus de que seus seguidores lembrem de sua morte. A maioria de nós procura esquecer os detalhes sobre a morte de nossos entes queridos, mas Jesus deseja que lembremos como Ele morreu. Isto porque sua morte é o cerne de tudo o que temos como cristãos.

Devemos lembrar, continua Wiersbe, o fato de haver morrido, pois a sua morte faz parte da mensagem do evangelho: “Cristo morreu […] foi sepultado” (1 Co 15.3,4). Não é a vida de Cristo nem seus ensinamentos que salvam os pecadores, mas sua morte. Portanto, devemos nos lembrar do motivo de ter morrido: Cristo morreu por nossos pecados; foi nosso substituto (Is 53.6; 1 Pe 2.24), quitando uma dívida que jamais poderíamos pagar”.[2]

O livro do Dr.Lucas dá amplo destaque à morte de Jesus na cruz do Calvário.(leia Lc 23 1-46)

COMENTÁRIO

O julgamento de Jesus foi o que há de mais covarde no pensamento humano e na prática religiosa. O método e os pressupostos do julgamento de Jesus de Nazaré demonstram o que a elite religiosa de Israel estava acostumada a fazer em sua época, isto é, burlar a lei para a manutenção dos seus próprios interesses. O julgamento de Jesus foi um grande teatro. Nada do que fosse dito ou apresentado a favor do Nazareno mudaria o cenário. A classe religiosa havia pensado pormenorizadamente nos caminhos precisos para fazerem o espetáculo jurídico mais odioso que se ouviu dizer na história dos homens. Pensar que, após humilharem o Senhor Jesus, castigar o seu corpo, crucificarem-no e matarem-no, o “clero” judaico foi celebrar a Páscoa como se nada tivesse acontecido. Imagine! Mataram uma pessoa e, logo depois, “cultuaram” a Deus. Quando a religião fecha-se em si mesma, e nos seus próprios interesses, é capaz das maiores perversidades, pensando estar a serviço de Deus. Que o Senhor guarde o nosso coração!

INTRODUÇÃO
Os momentos que antecederam à prisão e julgamento de Jesus foram extremamente difíceis e penosos para Ele e seus seguidores. As autoridades judaicas já haviam decidido, em concílio, pela sua morte, e esperavam apenas o momento oportuno para isso. Não intentavam realizar o ato durante a Páscoa, para não causar tumulto. Nesse momento surge Judas Iscariotes, um dos doze discípulos, com a proposta de entregar Jesus a esses líderes. E foi o que ele fez.
Preso, Jesus logo é submetido a um julgamento que o condenou e o entregou para ser crucificado! Pregado na cruz, Jesus, o Homem Perfeito, sentiu as dores dos cravos e o peso do pecado da humanidade.[1]

A morte de Jesus é ponto central da fé cristã e precisa ser compreendida. Ela foi voluntária, de inteira vontade do Pai (Mt 26.36-39). Quando nosso Senhor terminou de comer a Páscoa e celebrar a ceia com seus discípulos, foi com eles ao Monte das Oliveiras, e entrou no jardim do Getsêmani, afastando-se dos discípulos e ficando apenas com Pedro e os dois filhos de Zebedeu a Seu lado, foi orar. Quando Ele ficou sozinho, mais tarde, “adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando…” (Mt 26.39). Em profunda angústia, ele pedia: “..Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (v. 39). Jesus não recebeu resposta. O Pai ficou em silêncio. O aparente silêncio de Deus diante da oração de Jesus no Jardim foi uma clara resposta a essa oração. A oração de Jesus não foi para que Sua vida fosse poupada na cruz do Calvário. A oração de Jesus foi ter sua vida poupada para que não morresse ali no Jardim do Getsêmani. Ele estava destinado a morrer na cruz do Calvário para tirar os pecados do mundo. De Sua agonia de pavor, enquanto contemplava as implicações da sua morte, Jesus emergiu com confiança serena e resoluta. Assim, quando Pedro sacou da espada numa tentativa frenética de impedir a prisão, Jesus pôde dizer: “Não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18.11). Visto que João não registrou as orações agonizantes de Jesus pedindo a remoção do cálice, esta referencia a Ele é ainda mais importante. Jesus sabe que o que o cálice não lhe será tirado. O Pai lho deu. Ele o beberá. [3]

Jesus Cristo foi crucificado e morto pelos pecados de toda a humanidade.

AS ÚLTIMAS ADVERTÊNCIAS E RECOMENDAÇÕES

Aflição interior
Sabendo que era chegada a sua hora, Jesus trata de dar as últimas advertências e recomendações aos seus discípulos. Todos os evangelistas registram a advertência que Jesus fez a Pedro (Mt 26.31-35; Mc 14.27-31; Lc 22.31-34; Jo 13.36-38). Faltava pouco para o Mestre ser preso, e tanto Ele quanto seus discípulos iriam passar por um conflito interior sem precedentes. Daí a necessidade de estarem preparados espiritualmente para esse momento (Mt 26.41).

No Monte das Oliveiras, pouco antes de sua prisão, Ele advertiu a todos sobre a necessidade da oração para suportar as provações que se avizinhavam (Lc 22.39-46). Podemos falhar e muitas vezes falhamos, entretanto, não é por falta de aviso.[1]

Lucas 22 39-54 – No jardim do Getsêmani…
“Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo.” Mateus 26:36-38

e a cena continua, Jesus faz orações, os discípulos adormecem, Jesus os alerta…
“E, estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-o. E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o.” Mateus 26:47-49

*Meditando na cena da agonia no Getsêmani, somos obrigados a dar-nos conta que nosso Salvador suportou ai uma tristeza desconhecida em qualquer outra etapa de Sua vida, portanto, vamos começar nosso discurso fazendo a seguinte pergunta:

QUAL ERA A CAUSA DESSA TRISTEZA ESPECIAL DO GETSÊMANI?
Nosso Senhor era “varão de dores e experimentado no sofrimento” ao longo de toda Sua vida, no entanto, ainda que soe paradoxo, penso que dificilmente existiu sobre a face da terra um homem mais feliz que Jesus de Nazaré, pois as dores que Ele teve que suportar foram compensadas pela paz da pureza, a calma da comunhão com Deus, e a alegria da benevolência. Todo homem bom sabe que a benevolência é doce e seu nível de doçura aumenta em proporção a dor suportada voluntariamente quando se cumprem seus amáveis desígnios. Fazer o bem sempre produz alegria. Mais ainda, Jesus tinha uma perfeita paz com Deus todo o tempo; sabemos que isso era assim porque Ele considerava essa paz como uma herança especial que Ele podia deixar a seus discípulos, e antes de morrer disse-lhes: “A paz os deixo, a minha paz os dou.” Ele era manso e humilde de coração, e, portanto sua alma possuía o descanso; Ele era um dos mansos que herdam a terra; um dos pacificadores que são e que devem ser abençoados. Estou certo que não me equivoco quando afirmou que nosso Senhor estava longe de ser um homem infeliz. Porem, no Getsêmani, tudo parece ter mudado. Sua paz o abandonou, Sua calma se converteu em tempestade. Depois da ceia, nosso Senhor tinha cantado um hino, porem no Getsêmani não havia cantos. Descendo pela encosta que levava de Jerusalém a torrente do Cedrom, Ele falava com muita vivacidade, dizendo: “eu sou a videira, vós os ramos,” e essa maravilhosa oração com que orou com Seus discípulos depois desse sermão, está repleta de majestade: “Pai, aqueles que me tens dado, quero que onde eu esteja, também eles estejam comigo.” É uma oração muito diferente dessa oração dentro dos muros do Getsêmani, onde clama: “ Pai, se possível, passe de mim esse cálice.” Observem que dificilmente ao largo de toda sua vida o observam com uma expressão de angustia, e no entanto, aqui Ele fala, não só mediante suspiros e suor de sangue, mas também por meio das seguintes palavras: “Minha alma está muito triste, até a morte.” No jardim, o homem que sofria não podia ocultar sua angustia, e dá a impressão que não queria fazê-lo.[*4]

Aflição exterior
O texto de Lucas 22.35-38 tem chamado a atenção dos estudiosos da Bíblia. Estaria Jesus aqui pregando a luta armada? Não! Isso pelo simples fato de que o uso da força como parte do seu Reino é frontalmente contrário aos seus ensinos (Mt 5.9; 22.38-47). Jesus cita a profecia de Isaías 53.12 como se cumprindo naquele momento, e os discípulos, solidários com a sua missão, sofreriam as suas consequências. Assim como o seu Mestre, eles também seriam afligidos exteriormente com as consequências da prisão. Deveriam, portanto, estar preparados para aquele momento. Jesus seria contado com os malfeitores e seus discípulos seriam identificados da mesma forma (Mc 14.69).[1]

Antes de ser preso, Jesus deu advertências e recomendações para seus discípulos, pois sabia das aflições internas e externas que eles padeceriam.

“As palavras finais de Jesus aos discípulos no cenáculo os fazem lembrar de dificuldades à frente (Lc 22.35-38). Anteriormente, Ele os tinha enviado de mãos vazias para pregar o evangelho (Lc 9.1-6; 1.3,4). Eles fizeram uma viagem curta e levaram consigo providências limitadas, mas suas necessidades tinham sido providas. Nos dias tranquilos da missão galileia, eles tinham confiado na hospitalidade das pessoas. Agora os tempos mudaram, e eles enfrentarão dificuldades como nunca antes. Logo, Jesus será executado como criminoso, e os discípulos serão vistos como comparsas no crime. Deus ainda estará com os discípulos, mas daqui em diante eles têm de tomar providências e buscar proteção para a viagem. Eles terão de se defender contra os inimigos do evangelho, contra Satanás e contra as forças das trevas. Eles devem obter uma espada.

Alguns tomam a palavra ‘espada’ literalmente, significando que os discípulos devem comprar espadas para usar em conflito físico. Mais tarde, alguns estarão preparados para defender Jesus com espadas, mas Ele detém essa tentativa antes de qualquer coisa (vv.49-51). O que Jesus realmente quer é que os discípulos provejam as próprias necessidades e se protejam sem derramar sangue. Eles se encontrarão cada vez mais lançados numa luta espiritual e cósmica. A compra de espadas serve para lembrá-los daquela batalha iminente. Empreender esse tipo de guerra requer armas especiais, inclusive ‘a espada do Espírito, que é a palavra de Deus’ (Ef 6.11-18).

Os discípulos parecem não entender (Lc 22.38). Eles informam que têm duas espadas. Jesus diz: ‘Basta’, provavelmente com a intenção de repreensão irônica por pensarem assim. Eles encetarão uma guerra cósmica; os recursos humanos nunca são suficientes para esse tipo de luta”[5]

“Os cidadãos romanos, via de regra, não tinham de enfrentar a crucificação, a menos que fossem condenados por alta traição. A cruz estava reservada para os não cidadãos romanos, sujeitos das províncias em que eram criminosos perigosos, líderes revolucionários e escravos.” Leia mais em Guia Cristão de Leitura da Bíblia CPAD.pg94

JESUS É TRAÍDO E PRESO
A ambição.
A traição de Jesus é um dos relatos mais dramáticos e tristes que o Novo Testamento registra. Jesus foi traído por alguém que compartilhava da sua intimidade (Sl 41.9). Judas, conforme relata Lucas, foi escolhido pelo próprio Cristo para ser um dos seus apóstolos (Lc 6.16).

O que levou, portanto, Judas a agir dessa forma? Os textos paralelos sobre o relato da traição mostram que Judas era avarento, amava o dinheiro e a ambição o levou a entregar o Senhor (Jo 12.4-6).[1]

*Barclay esclarece bem a questão quando comenta: “Toda esta tragédia que está acontecendo, de alguma maneira, está dentro do propósito de Deus… Foi como as Escrituras disseram que seria”. trecho das Escrituras que Jesus citou é Salmos 41.9: aquele que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar. Compartilhar o pão era uma promessa de amizade. Levantou… o seu calcanhar descreve um ato de violência brutal, como o coice repentino de um cavalo. Como foi profético! Em poucos momentos, Judas sairia, tendo ainda em sua boca o gosto do bocado da escolha que foi partilhado com Jesus. Ele então retornaria com uma turba de assassinos, perpetrando o ato violento e brutal jamais dantes praticado, nem sequer equiparado.

Jesus tinha uma razão especial para expor o problema básico diante dos discípulos. Isto se tornaria para eles mais uma evidência, a fim de que entendessem a sua verdadeira natureza. Ele lhes contou o evento da traição antes que acontecesse, e explicou a razão: para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou (Jo 13.19). O eu sou (ego eimi) é outra das declarações de Jesus de sua divindade.[*6]

A negociação.

Há muito, os líderes religiosos procuravam uma oportunidade para matar Jesus, mas além de não encontrá-la, eles ainda temiam o povo (Mt 26.3-5; Lc 22.2). Lucas mostra que o Diabo entra em cena para afastar esse obstáculo (Lc 22.3-6). O terceiro Evangelho já havia mostrado, por ocasião da tentação, que o Diabo tinha se apartado de Jesus até o momento oportuno (Lc 4.13). Sabendo que Judas estava dominado pela ambição, Satanás incita-o a procurar os líderes religiosos para vender Jesus (Lc 22.2-6). O preço foi acertado em 30 moedas de prata (Mt 26.15). Quando o responsabiliza por seu ato, a Escritura mostra que Judas não estava predestinado a ser o traidor de Jesus (Mc 14.21). Ele o fez porque não vigiou (Lc 6.13; 22.40). Quem não vigia termina vendendo ou negociando a sua fé.[1]

JULGAMENTO E CONDENAÇÃO DE JESUS

O julgamento de Jesus deu-se em duas esferas: a religiosa e a política.

Na esfera religiosa.

Os conflitos entre Jesus e os líderes religiosos de Israel começaram muito cedo (Mc 3.6). As libertações, as curas e autoridade com que transmitia a Palavra de Deus fez com que as multidões passassem a seguir a Jesus (Lc 5.1). Essa popularidade entre as massas provocou inveja e ciúme dos líderes religiosos que perdiam espaço a cada dia (Jo 12.19). Para esses líderes, alguma coisa deveria ser feita e com esse intuito reuniram o Sinédrio. A decisão foi pela morte de Jesus (Jo 11.47-57). O passo seguinte foi fazer um processo formal contra Jesus, onde Ele seria falsamente acusado de ser um sedicioso que fizera Israel se desviar.[1]

Na esfera política.

Para os líderes religiosos, Jesus era um herege, acusado de ter blasfemado, e que deveria ser tirado de cena a qualquer custo, mesmo que fosse a morte. Todavia, Israel nos dias de Jesus estava sob a dominação romana e os líderes judeus não poderiam conquistar o seu intento sem a aprovação do Império (Jo 18.31). Lucas deixa claro que a acusação dos líderes judeus feita a Jesus era tríplice: desviar a nação; proibir os judeus de pagarem impostos a Roma e afirmar que Ele, e não César, era rei (Lc 23.2,5,14). Em outras palavras, Jesus foi acusado de sedição. Desviar os judeus de sua fé não era crime para Roma, mas a sedição, fazer o povo se levantar contra o império, era! Jesus, portanto, estaria levando os seus discípulos a uma revolta política. Os romanos não toleravam nenhuma forma de levante contra o Estado e estipulavam para esse tipo de crime a pena capital.[1]

Quem foi Pôncio Pilatos
Pôncio Pilatos, o oficial romano que sob sua autoridade Jesus foi julgado e condenado, foi o quinto governador da Judeia, mantendo sua posição durante o período de 26 a 36 D.C. Como um cavaleiro, Pilatos veio de uma classe romana que ficava atrás apenas da ordem senatorial e de onde os imperadores romanos escolhiam com freqüência seus administradores e oficiais militares. Pouco se sabe sobre sua carreira antes de ser apontado como governador da Judeia, embora ele possa ter se beneficiado do apadrinhamento político de L. Aelius Seianus (Sejanus), um ministro importante do imperador Tiberius (governador de 14 a 37 D.C.). Embora Tacitus o chame de “procurador” (Tacitus, Annales 15:44), que é o titulo comum para os cavaleiros governadores de pequenas províncias impérios da época de Claudius (governou de 41 a 54, e importante inscrição de Cesárea, a capital da Judeia Romana, confirma que ele teve o primeiro titulo de “prefeito”) A data de sua morte é desconhecida (Eusébio, historiador da igreja primitiva, acreditava que ele cometeu suicídio).

**A Sentença de Cristo

Cópia autêntica da Sentença de Pilatos, no Processo de Jesus Cristo, existente no Museu da Espanha

“No ano dezenove de TIBÉRIO CÉSAR, Imperador Romano de todo o mundo, monarca invencível na Olimpíada cento e vinte e um, e na Elíada vinte e quatro, da criação do mundo, segundo o número e cômputo dos Hebreus, quatro vezes mil cento e oitenta e sete, do progênio do Romano Império, no ano setenta e três, e na libertação do cativeiro de Babilônia, no ano mil duzentos e sete, sendo governador da Judéia QUINTO SÉRGIO, sob o regimento e governador da cidade de Jerusalém, Presidente Gratíssimo, PÔNCIO PILATOS; regente na baixa Galiléia, HERODES ANTIPAS; pontífice do sumo sacerdote, CAIFÁS; magnos do templo, ALIS ALMAEL, ROBAS ACASEL, FRANCHINO CEUTAURO; cônsules romanos da cidade de Jerusalém, QUINTO CORNÉLIO SUBLIME e SIXTO RUSTO, no mês de março e dia XXV do ano presente,

EU, PÔNCIO PILATOS, aqui Presidente do Império Romano, dentro do Palácio e arqui-residência, julgo, condeno e sentencio à morte, Jesus, chamado pela plebe – CRISTO NAZARENO – e galileu de nação, homem sedicioso, contra a Lei Mosaica – contrário ao grande Imperador TIBÉRIO CÉSAR.

Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte na cruz, sendo pregado com cravos como todos os réus, porque congregando e ajustando homens, ricos e pobres, não tem cessado de promover tumultos por toda a Judéia, dizendo-se filho de DEUS e REI DE ISRAEL, ameaçando com a ruína de Jerusalém e do sacro Templo, negando o tributo a César, tendo ainda o atrevimento de entrar com ramos e em triunfo, com grande parte da plebe, dentro da cidade de Jerusalém.

Que seja ligado e açoitado, e que seja vestido de púrpura e coroado de alguns espinhos, com a própria cruz aos ombros para que sirva de exemplo a todos os malfeitores, e que, juntamente com ele, sejam conduzidos dois ladrões homicidas; saindo logo pela porta sagrada, hoje ANTONIANA, e que se conduza JESUS ao monte público da Justiça, chamado CALVÁRIO, onde crucificado e morto ficará seu corpo na cruz, como espetáculo para todos os malfeitores, e que sobre a cruz se ponha, em diversas línguas, este título: JESUS NAZARENO, REX JUDEORUM.

Mando, também, que nenhuma pessoa de qualquer estado ou condição se atreva, temerariamente, a impedir a Justiça por mim mandada, administrada e executada com todo o rigor, segundo os Decretos e Leis Romanas, sob as penas de rebelião contra o Imperador Romano.

Testemunhas da nossa sentença:

Pelas dozes tribos de Israel: RABAIM DANIEL; RABAIM JOAQUIM BANICAR; BANBASU; LARÉ PETUCULANI.

Pelos fariseus: BULLIENIEL; SIMEÃO; RANOL; BABBINE; MANDOANI; BANCURFOSSI.

Pelos hebreus: MATUMBERTO.

Pelo Império Romano e pelo Presidente de Roma: LÚCIO SEXTILO E AMACIO CHILICIO.”


fonte: MINISTERIO DE EDUCACIÓN, CULTURA Y DEPORTE. Archivo General de Simancas. Documento: Estado, Leg, 847, 60. Simancas: Archivo General, 2012. 


A CRUCIFICAÇÃO E A MORTE DE JESUS

O método.

A pena capital imposta pelo Império Romano aos condenados se dava através da crucificação. Os pesquisadores são unânimes em afirmar que essa era a mais cruel e dolorosa forma de execução! Josefo, historiador judeu, informa que antes da execução, os condenados eram açoitados e submetidos a todo tipo de tortura e depois crucificados do lado oposto dos muros da cidade. Cícero, historiador romano, ao se referir à crucificação, afirmou que não havia palavra para descrever ato tão horrendo. A mensagem do Império Romano era clara — isso aconteceria com quem se levanta contra o Estado. Jesus, portanto, sofreu os horrores da cruz. De acordo com os Evangelhos, Ele foi açoitado, escarnecido, ridicularizado, blasfemado, torturado, forçado a levar a cruz e por fim crucificado (Jo 19.1-28).[1]

O significado.

Para muitos críticos, Jesus não passou de um mártir como foram tantos outros líderes judeus que viveram antes dEle. Todavia, a teologia lucana depõe contra essa ideia. O que se espera da morte de um mártir não pode ser encontrado na narrativa da morte de Jesus. Para Lucas, Jesus morreu vicariamente pela humanidade. A relação que Lucas faz do relato da paixão com a narrativa do Servo Sofredor de Isaías 53 mostra isso. O Servo sofredor, Jesus, justifica a muitos. O caráter universal da salvação presente em Isaías 53 aparece também em Lucas. Jesus, portanto, é o Servo Sofredor que se humilha até à morte de cruz, mas é exaltado e glorificado por Deus pela obra que realizou.[1]

O método usado para matar Jesus foi a crucificação, denotando que o Senhor morreu vicariamente pela humanidade.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“A figura de um cordeiro ou cabrito sacrificado como parte do drama da salvação e da redenção remonta à Páscoa (Êx 12.1-13). Deus veria o sangue aspergido e ‘passaria por cima’ daqueles que eram protegidos por sua marca. Quando o crente do Antigo Testamento colocava as suas mãos no sacrifício, o significado era muito mais que identificação (isto é: ‘Meu sacrifício’). Era um substituto sacrificial (isto é: ‘Sacrifico isto em meu lugar’).

Embora não se deva forçar demais as comparações, a figura é claramente transferida a Cristo no Novo Testamento. João Batista apresentou-o, anunciando: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’ (Jo 1.29). Em Atos 8, Filipe aplica às boas novas a respeito de Jesus a profecia de Isaías que diz que o Servo seria levado como um cordeiro ao matadouro (Is 53.7). Paulo se refere a Cristo como ‘nossa páscoa’ (1Co 5.7). Pedro afirma que fomos redimidos ‘com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado’ (1Pe 1.19)” (HORTON, Stanley (Ed). Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, p.352).

CONCLUSÃO

É um fato histórico que Jesus foi condenado pelos líderes religiosos e executado pelas leis romanas. Todavia, devemos lembrar de que a causa primeira que levou Jesus de fato à cruz foram os nossos pecados (Is 53.5). O apóstolo Paulo também destaca esse fato: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21). A cruz resolveu o problema do pecado, e todos nós finalmente pudemos desfrutar a paz com Deus (Rm 5.1). Deus seja louvado.

“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53:5

Leia também (subsídio para esta aula) – Na cruz Jesus venceu!


PARA REFLETIR

Sobre os ensinos do Evangelho de Lucas, responda:

Conforme a lição, que alerta Jesus fez aos discípulos antes de ser traído?

Pedro é avisado de que Satanás o queria peneirar (Lc 22.31-34). No Monte das Oliveiras, pouco antes de sua prisão, Ele advertiu a todos sobre a necessidade da oração para suportar as provações que se avizinhavam (Lc 22.39-46).

Qual foi a forma que os líderes acharam para, injustamente, entregar Jesus?

Através de Judas, os líderes religiosos compraram Jesus (Lc 22.2-6) pelo preço de 30 moedas de prata (Mt 26.15). Quanto à condenação capital, o acusaram injustamente de sedição.

Quais são as duas esferas nas quais se deu a traição de Jesus?

Religiosa e política.

Qual era o método usado pelos romanos para executar os condenados?

A pena capital imposta pelo Império Romano aos condenados se dava através da crucificação.

O que a crucificação de Jesus representa para você?

Resposta livre. (Deixe seu Comentário)

Fontes:

[1]José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito. Ed.CPAD 

Lucas, O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito. José Gonçalves – Livro de Apoio Ed.CPAD

[2]WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo — Novo Testamento 1. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel.

[3]Stott, John R. W. A Cruz de Cristo. Ed. Vida, São Paulo, SP, 9ª impressão 2002: p. 67.

[4]A Agonia no Getsêmani, Sermão pregado no Domingo, 18 de Outubro de 1874, por Charles Haddon Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

[5](ARRINGTON, French L. Lucas. In ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.).Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.463-64).

[6]Joseph H. Mayfield. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol.7

Comentário Bíblico – Editora Loyola – 3ª edição: setembro 2001

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Ed.CPAD
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Revista Ensinador Cristão – CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé


**GONÇALVES, João Luís Rodrigues. Julgamento de Cristo: análise jurídica. Faro, 2002.
**QUADRA, Manoel Fernandes. Livro básico do advogado. Rio de Janeiro: Ediouro, 1980
em Encontrada a Sentença de Cristo – praticadapesquisa.com.br 

MINISTERIO DE EDUCACIÓN, CULTURA Y DEPORTE. Archivo General de Simancas. Documento: Estado, Leg, 847, 60. Simancas: Archivo General, 2012.

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