A Criação dos Céus e da Terra – Ev. Luiz Henrique

A Criação dos Céus e da Terra – Ev. Luiz Henrique

Lição 2, A Criação dos Céus e da Terra

4º trimestre de 2015 – O Começo de Todas as Coisas – Estudos Sobre O Livro de Gênesis

Comentarista da CPAD: Pr. Claudionor Correa de Andrade

Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva

NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

 

TEXTO ÁUREO
“Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de DEUS, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.” (Hb 11.3).

 

VERDADE PRÁTICA
A primeira grande verdade da Bíblia é que DEUS criou os Céus, a Terra e o ser humano.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Gn 1.1 DEUS é o grande Criador de todas as coisas

Terça – Sl 33.6 Pela fé cremos que DEUS é o grande Criador dos Céus 
Quarta – Is 45.18
 Pela fé cremos que DEUS criou a Terra

Quinta – Sl 104.14 Pela fé cremos que DEUS criou o reino vegetal
Sexta – Sl 104.19
 Pela fé cremos que DEUS criou o sistema solar 
Sábado – Sl 50.10-12
 Pela fé cremos que DEUS criou os animais

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – Salmos 104.1-14

1 – Bendize, ó minha alma, ao SENHOR! SENHOR, DEUS meu, tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade. 2 – Ele cobre-se de luz como de uma veste, estende os céus como uma cortina. 3 – Põe nas águas os vigamentos das suas câmaras, faz das nuvens o seu carro e anda sobre as asas do vento. 4 – Faz dos ventos seus mensageiros, dos seus ministros, um fogo abrasador. 5 – Lançou os fundamentos da terra, para que não vacile em tempo algum. 6 – Tu a cobriste com o abismo, como com uma veste; as águas estavam sobre os montes; 7 – à tua repreensão, fugiram; à voz do teu trovão, se apressaram. 8 – Subiram aos montes, desceram aos vales, até ao lugar que para elas fundaste. 9 – Limite lhes traçaste, que não ultrapassarão, para que não tornem mais a cobrir a terra. 10 – Tu, que nos vales fazes rebentar nascentes que correm entre os montes. 11 – Dão de beber a todos os animais do campo; os jumentos monteses matam com elas a sua sede. 12 – Junto delas habitam as aves do céu, cantando entre os ramos. 14 – Ele faz crescer a erva para os animais e a verdura, para o serviço do homem, para que tire da terra o alimento.

 

OBJETIVO GERAL – Compreender que DEUS criou os céus e a Terra

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Apresentar o criacionismo bíblico;

Conhecer como se deu a criação do tempo, do espaço e da luz;

Explicar a ordenação da Terra.

Compreender como e deu a criação da luz;

Saber como foi a separação das águas;

Endender como se deu a formação do reino vegetal, do sistema solar e a criação do reino animal.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, você crê que os céus e a Terra foram formados por DEUS? Então não terá dificuldades no ensino dessa lição. O relato da criação não é uma alegoria. Enfatize, no decorrer da aula, que a narrativa da criação é um fato histórico, ou seja, algo que aconteceu exatamente como a Palavra de DEUS narra. Quando o assunto é a criação do universo, sabemos que existem várias teorias que tentam explicar a origem da vida. Porém, como crentes, sabemos que o universo e a vida não são produtos de uma evolução como alguns cientistas tentam afirmar ou o resultado da explosão de uma partícula. DEUS é o grande Criador.

 

PONTO CENTRAL – Pela fé cremos que DEUS criou os céus e a Terra.

 

Resumo da Lição 2, A Criação dos Céus e da Terra

  1. O CRIACIONISMO BÍBLICO
    1. Definição.
  2. Fundamentos.
  3. Objetivos.

II – A CRIAÇÃO DO TEMPO, DO ESPAÇO E DA LUZ

  1. O tempo.
  2. O espaço.
  3. Os Céus e os anjos.
  4. A Terra ainda informe.

III. A ORDENAÇÃO DA TERRA

  1. O ESPÍRITO SANTO na criação.
  2. Tarefas ordenadas.
  3. A CRIAÇÃO DA LUZ
  4. E houve luz.
  5. A luz inicial.
  6. A SEPARAÇÃO DAS ÁGUAS
  7. Separando as águas.
  8. A criação da atmosfera.
  9. A CRIAÇÃO DO REINO VEGETAL
  10. O reino vegetal.
  11. As possibilidades do reino vegetal.

VII. A CRIAÇÃO DO SISTEMA SOLAR

  1. A criação do Sol, da Lua e das estrelas.
  2. A perfeição do sistema solar.

VIII. A CRIAÇÃO DO REINO ANIMAL

  1. Quinto dia.
  2. Sexto dia.

 

SÍNTESE DO TÓPICO I – O criacionismo bíblico é a teoria que nos ajuda a entender que DEUS criou os céus e a Terra.

SÍNTESE DO TÓPICO II – DEUS criou o tempo, o espaço e a própria luz.

SÍNTESE DO TÓPICO III – O ESPÍRITO SANTO estava presente na criação e ordenação do universo.

SÍNTESE DO TÓPICO IV – DEUS no primeiro dia de sua obra criou a luz.

SÍNTESE DO TÓPICO V – DEUS criou e fez separação das águas que se achavam abaixo e acima do firmamento.

SÍNTESE DO TÓPICO VI – No terceiro dia DEUS criou o reino vegetal.

SÍNTESE DO TÓPICO VII – DEUS criou no quarto dia o Sol, a Lua e as estrelas.

 

PARA REFLETIR – A respeito do livro de Gênesis:
O que é o Criacionismo Bíblico?
Criacionismo Bíblico é a doutrina segundo a qual DEUS criou, a partir de sua palavra, tudo quanto existe: os Céus, a Terra, os reinos vegetal e animal e, finalmente, o ser humano (Hb 11.3).
Em que se fundamenta o Criacionismo?
Criacionismo fundamenta-se na Bíblia Sagrada, na manifestação silenciosa da natureza e nas observações e estudos que dela fazemos (Rm 1.20; Sl 119.1-6).
Segundo a lição, qual foi a primeira coisa que DEUS criou?
Embora a Bíblia não o diga, é-nos permitido afirmar que a primeira coisa que DEUS criou foi o tempo.
O que é o espaço?
Podemos defini-lo como o tecido cósmico que DEUS criou para que, nele, se localizassem os corpos celestes. Portanto, o espaço também é criação divina.
 
O que DEUS criou no sexto dia?
 
No sexto dia, DEUS criou os animais selvagens e os domésticos (Gn 1.24,25).

 

CONSULTE – Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 64, p. 37. – Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição.

SUGESTÃO DE LEITURA – E agora, como viveremos?, Doutrinas Bíblicas: Os fundamentos da nossa fé e Manual do Pentateuco.

 

Comentários de vários autores com algumas correções do Ev. Luiz Henrique e resumo rápido do Ev. Luiz Henrique

  1. O CRIACIONISMO BÍBLICO

Pergunta 1 – O que foi usado para criar o mundo?

Resposta: Palavra de DEUS.

Pergunta 2 – O que vemos foi criado dessa matéria que vemos?

Reposta: Não, primeiro nasceu no reino espiritual, pela Palavra de DEUS, depois se materializou aqui na Terra (agora passamos a ver o que DEUS criou).

 

Hebreus 11.3 Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de DEUS, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.

 

II – A CRIAÇÃO DO TEMPO, DO ESPAÇO E DA LUZ

Para passar a existir o tempo aqui na Terra (DEUS não se limita a tempo), foi preciso que DEUS o criasse. Assim dias e noites foram criados e depois meses, anos, estações, etc…

 

O homem tem evolucionado nas frágeis azas da sua imaginação em torno da luz falsa de seu próprio raciocínio, em risco de se queimar na pesquisa da origem do mundo, mas chega sempre à primeira pergunta: “Mas no princípio?”

Os cristãos, porém, não se podem imiscuir nessas indagações, pois, este livro foi confirmado por Jesus Cristo justamente nos pontos que mais inverossímil pudesse parecer. Jesus tem assim afirmado a criação bíblica do homem, o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra e ainda vários outros acontecimentos do Gênesis. Essas ligeiras palavras tem o objetivo de nos despertar, para crermos no mais controvertido de todos os volumes bíblicos. A promessa da vinda do Salvador foi homologada nesse livro, e o seu advento se deu, mesmo a despeito das controvérsias. Os homens discutem e confundem-se, enquanto que Deus revela, opera e satisfaz.

 

Vamos tentar sequenciar a criação segundo o livro O Plano Divino Através dos Séculos:
DEUS criou uma Terra original no princípio do Universo (Gênesis 1:1) e não a criou vazia (Isaías 45:18);
Esta Terra era o local de habitação de Lúcifer (Ezequiel 28:13-16), no qual refletia a glória da criação de DEUS;
Neste tempo ele não havia caído ainda, era um anjo de luz;
Porém, no seu coração surgiu o desejo de ser semelhante a DEUS (Isaías 14:12-15)
No seu intento, arregimentou a terça parte dos anjos (Apocalipse 12:7-9), que lutaram em alguma região do Universo, visto que no Céu não entra pecado;
Não venceram e se tornaram o Diabo e seus demônios;
A Terra que era o local de atuação de Lúcifer foi castigada se tornando sem forma e vazia;
A partir daí é que temos uma Terra caótica na qual se desenrolam os fatos narrados em Gênesis 1:3 em diante.
É possível?
Sim. Perfeitamente. Há tantas possibilidades quanto planetas! O termo hebraico tohu wabohu, traduzido por “sem forma e vazia”, é utilizado para juízos divinos em outros contextos (Jeremias 4:23). Explicaria a idade da Terra e o fato de que a luz já existia, que o Sol e a Lua já haviam sido criados, sendo chamados a prover iluminação para o planeta, que o próprio continente estava apenas submerso.

Lawrence Olson, seguindo Finis Jennings Dake, em seu livro O Plano Divino Através dos Séculos, trouxe para nosso conhecimento a Teoria da Terra Original

 

O homem é o único ser criado à imagem e semelhança de Deus.

De  fato,  tudo  começou  quando  Deus  soprou  no  homem  o  seu  Espírito: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. Gênesis 2:7

Na  verdade,  o  que  difere  o  homem  de  todos  os  outros  seres  é  a  CONSCIÊNCIA.  O  que  seria  isso?  “CONSCIÊNCIA:  É  o  que  faz  de  você  o  que  é  e  eu  o  que  sou   –  individualidade. É  o  maior  dos  atributos  do  cérebro;   é  a  ciência  que  temos  de  nossos  pensamentos  e  sentimentos    para  que  cada  um  tenha  a  sua  própria  personalidade.  Sem  ela  seríamos  nada  mais  do  que  robôs  se  arrastando  pelos  movimentos  da  vida  .  Ela  nos  permite  apreciar  as  grandes  coisas  da  vida,  o  amor,  a  arte,  a  ciência,  a  religião.  Ela  torna  o  cérebro  algo  mais  que  um  aglomerado  de  pequenas  células  movidas  a  eletricidade    e  o  que  nos  torna  humanos”.   

“Consciência, no aspecto moral, é a capacidade que o homem tem de conhecer  valores e mandamentos morais e aplicá-los nas diferentes situações”.

A  consciência  nos  permite  amar  nosso  próximo (nunca  ouvi  falar  de  um  anjo  amando  quem  quer  seja,  nem  mesmo  a  Deus – aqui não quero polemizar),  mas  o  amor  é  uma  das  grandes  características  exclusivas  do  homem (e  de  Deus)  e, junto  com  ele,  a  MISERICÓRDIA,  atributo  este  que  fez  muitos  homens  de  Deus  questionarem-no  e  até  desobedecê-lo:

Misericórdia  está  ligada  à  consciência.  Um  anjo  continua  tranqüilo  após  matar  180.000  pessoas,  como  aconteceu  com  os  Assírios,  mas  eu  e  você  não  conseguiríamos   encarar-nos  no  espelho  nem  dormir  tranqüilo  pelo  resto  da  vida  se  fizéssemos  isso,  mesmo  a  mando  de  Deus.  Vejam  Davi,  matou  milhares  em  batalha,  mas  o  homicídio  de  Urias  o  fez  dizer:  “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Salmos 51:1-3

 

OS SEIS DIAS DA CRIAÇÃO (Estudo no livro de Gênesis, Antônio Neves de Mesquita)

Trabalho do Primeiro Dia – 1:2-5

Trabalho do Segundo Dia – Expansão – Céus – 1:6-8

Trabalho do Terceiro Dia – Mares, Terra e Vegetação – 1:9-13

Trabalho do Quarto Dia – Sol e Lua – 1:14-19

Trabalho do Quinto Dia – Animais Aquáticos e Pássaros

 

Trabalho do Primeiro Dia – Gên. 1:2-5

O verso 2 de Gênesis é uma espécie de parêntesis entre o verso primeiro e o terceiro. Descreve o estado da terra depois de criada, antes mesmo do aparecimento da luz.

Abismo, desolação e confusão era o estado dela. As teorias antes esboçadas estão de acordo com esta descrição, da informe condição terráquea. Sobre a face do abismo moviase o Espírito de Deus. A palavra hebraica traduzida aqui por mover ou pairar, como traduz a Versão Brasileira, não representa o original. A tradução inglesa Brooding é muito mais exata. O particípio “Merahefet” não só descreve ação contínua, ininterrupta, mas ação vivificadora. Como uma ave se assenta sobre os ovos, para os incubar e dar vida, assim o Espírito de Deus, no Seu ato de vivificar o caos, movia-se sobre ele. Da ação da terceira pessoa da Trindade saiu toda a beleza que contemplamos no universo.

Ao Espírito é atribuída e reconhecida a função de dar vida, tanto espiritual como natural. Ele é o autor do novo nascimento, da nova criação. Nascer do Espírito é condição essencial para entrada no Reino de Deus. Sua ação “no princípio” foi dar vida ao novo mundo. Nestes dois versos encontra-se material suficiente para uma demonstração da doutrina da Trindade.

A palavra “águas” é por muitos comentadores entendida como a principal matéria cósmica do universo. O termo hebraico parece exprimir a idéia de fluído material. O

Salmo 148 talvez tenha essa mesma idéia quando diz: “Águas que estão sobre os céus” (Sal. 148:4). Estas águas eram distintas das que estavam abaixo, no abismo (verso 7) e o “vapor” acima (verso 8). A nossa terra estava envolvida na grande massa de fluído material, que ainda enchia o espaço, e sobre ela, embaixo, o Espírito se movia. “Disse

Deus: haja luz; e houve luz”. Notemos que a luz não foi criada. O verbo empregado é o verbo ser. Houve, portanto, luz antes de haver sol. O autor lembra-se de quando, nos

seus primeiros dias de conversão, foi abordado por um companheiro que se empavonava de ser ateu e lhe perguntou como é que podia haver luz antes de haver sol, visto que este só foi criado no quarto dia e a luz apareceu no primeiro. Esta pergunta insidiosa, lhe fez sentir a necessidade de estudar o assunto. A ciência ensina que a matéria que se encontra nos corpos celestes era, a princípio, muito rarefeita e de rotação muito lenta. À medida que se foi condensando, foi aumentando de velocidade e, como já foi dito, desta atividade molecular surgiu a luz. Esta, por sua vez, estava encoberta nos densos nevoeiros que enchiam o espaço de modo a não poder ser vista. Foi aqui que Deus, o bondoso Criador, interveio, separando os nevoeiros e deixando a luz livre para brilhar. Haja luz, fiat lux, e houve luz. Existiu, portanto, luz antes de haver sol. Moisés assim diz e a ciência confirma. Deus mesmo é a luz e onde Ele habita não pode haver trevas. Ele é a luz que alumia todo homem que vem ao mundo (João 1:9).

Deus fez separação entre as trevas e a luz e chamou as trevas, noite e a luz, dia. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. Até este ponto tudo era treva sobre o cosmos, e essa

treva é representada pela palavra tarde; e a luz que se seguiu é representada pela palavra dia. Uma longa noite tinha pairado sobre a terra e um longo dia se seguiu a ela. Este foi o trabalho do primeiro dia.

De quantas horas foi este dia da criação? Sobre o termo “dia” aqui empregado há muita discussão. Alguns teólogos pensam que é um período de duração indefinida, outros,

que é um período de 24 horas. Em assuntos tão controvertidos, não é fácil dar uma opinião que não tenha de dissentir de uns ou de outros, mas é impossível também ficar

sem opinião.

Ninguém negará que Deus podia fazer tudo que fez em seis dias num só dia, bem como podia fazer num momento o que fez no primeiro dia, ainda que este fosse de 24 horas. Não temos, pois, necessidade de discutir a questão do poder divino, mas o método divino. Para Deus, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. Parece que os que aceitam a idéia do dia de 24 horas esquecem que para o Criador o tempo é questão insignificante. Moisés certamente usou o termo “dia” com muita propriedade, sem que precisemos crer num dia do nosso planeta. A lua tem o seu dia, que é 26 vezes maior que o nosso. Os outros planetas têm os seus. Portanto, este termo não é fixo. Desde o momento em que Deus criou o universo, no princípio, até que fez a separação entre as trevas e a luz, houve uma longa noite, talvez de milhares de anos.

Houve noite antes de haver dia, e nada pode representar estes dois termos tarde e manhã como a palavra dia. Portanto, tem razão Moisés de nos falar no termo dia visto que nada poderia exprimir a idéia tão perfeitamente. Se quisermos dar crédito à ciência, esta diz que o universo levou miríades de anos preparando-se para poder receber vida. Que, sendo a princípio uma massa difusa e disforme, foi pouco a pouco se condensando, até que se tornou, pelo efeito do atrito, uma enorme massa incandescente, para depois esfriar na superfície, formando a crosta terrestre, e poder receber vida. Ainda se pode verificar que o centro da terra está em forma ígnea, como evidência de que toda ela foi um globo de fogo, como ainda é o sol hoje. Há muita plausibilidade nesta declaração dos sábios, e, se assim foi, então 24 horas é pouco demais para um processo tão complexo. Podemos demonstrar que a Bíblia não usa uniformemente o vocábulo dia para indicar período de 24 horas. Aliás, este sentido é quase estranho à Bíblia. O trabalho dos seis dias da criação é mencionado como sendo um só dia (cap. 2:4): “No dia em que Jeová Deus fez os céus e a terra.” Não padece dúvida que o autor inspirado usa a palavra dia para denotar espaço de tempo, época ou período.

Os profetas comumente usavam a palavra dia em sentido indefinido. “O dia de Jeová” constitui uma nota contínua nas profecias, e ninguém teimará em crer que este dia

seja de 24 horas. O último dia! O Dia do Senhor! O Dia do Julgamento! é inegavelmente um período de longa duração. Vejamos o que Jesus diz sobre o último dia em João

6:39:54; 12:48; no N.T. 12:36; Luc. 10:12-14. Paulo, em I Cor. 4:3-5. O último dia é também representado no N.T. como o período da nova criação. Ver Mat. 19:28; Atos 4:21;

Rom. 8:19-23. Poderíamos multiplicar as escrituras que mostram a diversidade em que esta palavra é usada, mas estas bastam. As palavras do quarto mandamento, em que Deus ordena trabalhar seis dias e descansar um, à semelhança do seu trabalho de criação, não oferecem tanta base para disputa como querem alguns comentadores, visto que Deus está falando a homens e só pode falar-lhes em termos que eles compreendam, mas ninguém insistirá, afirmando que Deus está na estrita obrigação de fazer seu trabalho como o fazem os homens. Pedro diz que um dia para Deus não é como um dia para o homem (II Pedro 3:7,8). Se estes dias da criação foram de 24 horas, Satanás é somente poucas horas mais velho do que o homem, bem assim, todos os querubins e serafins da corte celestial.

Nós mesmos não somos exatos em nossa terminologia quanto ao termo dia. Um homem trabalha seis dias na semana. De quantas horas são esses dias? de 24 horas? Há uma tremenda luta para que todos os dias de trabalho sejam de 8 horas. Podem ser de oito horas, de dez ou de doze, mas nunca de 24 horas. O nosso dia de trabalho bem podia ser tomado como período de trabalho ou atividade, mas esta é a linguagem comum e daí o usarmos a palavra dia. Moisés fez o mesmo. Ele descreveu períodos de atividade divina de acordo com a maneira de seu povo entender estes períodos, pela palavra dia. Há, pois, precisão no termo empregado.

  1. Este fato tem levado os teólogos às mais sutis especulações para achar o meio de explicar por que Moisés usou o termo dia. Alguns crêem que usou linguagem alegórica ou mística, à semelhança dos hindus e gregos, descrevendo as legendas de seus deuses. Mas não se pode tirar o elemento histórico da narrativa sem destruir sua unidade.
  2. Outros crêem na interpretação hiperliteral da narrativa de Gênesis, separando o verso 1 do verso 2, pondo um imenso período de tempo entre os dois acontecimentos

narrados e fazendo da descrição começada no verso 2 uma narrativa literal de seis dias de 24 horas. Sobre esta interpretação sirvam as notas sobre a palavra dia”, dadas

anteriormente.

  1. Após, vem a teoria chamada hipercientífica, que tem por fim fazer a narrativa mosaica concordar em detalhes com as investigações científicas e sobretudo com a Geologia. Este, porém, não é método bíblico. Ainda que a narrativa possa ser confrontada com qualquer investigação científica, não podemos esperar encontrar as minúcias que ciência menciona.
  2. A interpretação sumária e panorâmica é a que tem maior número de adeptos e está mais ou menos de acordo com a Hipótese da Nebulosa (ver Dr. Strong, “Systhematie

Theology”, Vol. II, páginas, 394-395).

  1. Finalmente, tem a palavra o sábio Hugh Miller, para nos dar a sua interpretação dramática. Segundo ele, Deus fez passar diante de Moisés o drama da criação em seis

panoramas ou vistas, cada uma delas representando um dia. Assim, Moisés relatou o que viu na superfície da terra e à tona da água, e nada mais.

Parece ser muito mais natural crer que a história que Moisés nos legou era um patrimônio de todas as nações e que foi transmitida de geração em geração, sendo Adão o

primeiro que recebeu a informação de como Deus criou o mundo. Como veremos mais tarde, a vida dos antediluvianos foi tão longa que Adão pôde conversar com Matusalém, pois, segundo a melhor cronologia, este foi contemporâneo de Adão por espaço de 243 anos. Matusalém foi contemporâneo de Noé por 600 anos, e Noé viveu depois do dilúvio 350 anos, sendo contemporâneo de Terá, pai de Abraão, por espaço de 56 anos. Assim, Abraão podia ter recebido a história da criação diretamente de seu pai Terá, este, de Noé, Noé de Matusalém, e Matusalém de Adão. A coisa mais notável é que todas as nações antigas, como Egito, Babilônia, Índia, China etc., têm tradições correntes sobre a criação, e todas elas, em geral, são idênticas, denunciando uma origem comum. Mais uma palavra sobre a dificuldade de o termo “dia” equivale ao nosso dia de 24 horas. Diz-nos a ciência que a nossa terra ocupava um espaço muitíssimo maior, quando estava em estado gasoso, e, portanto, devia levar muito mais tempo para dar uma volta sobre si mesma do que leva hoje. Logo, um dia devia ter muito mais horas do que hoje.

Os dias e as noites são governados pelo sol, e este só apareceu no quarto dia. Daqui a necessidade de tomar o termo dia em sentido mais vasto. O texto sagrado diz que Deus fez separação entre as trevas e a luz. O resultado e não o ato constituiu o primeiro dia (ver Guiot – Creation; Taylor Lewis – Six Days of Creation; Thompson – Man in Gene ‘a and Geology; Dawson – -Story of Eaxt and Man; Leonte – Seiencè and Religion).

 

Trabalho do Segundo Dia – Expansão – Céus – 1:6-8

O trabalho dos três primeiros dias foi lento e moroso. O resultado do primeiro dia foi a luz, o do segundo dia foi a criação da expansão ou separação entre as águas debaixo e

as águas de cima. Águas em estado líquido e águas em estado gasoso. Aquelas sobre a face da terra e estas suspensas nos ares. Esta separação tornou possível o aparecimento da expansão de cima. A esta expansão Deus chamou céus. Devemos, porém, notar que os céus foram criados no princípio, juntamente com a terra, conforme o verso primeiro. Assim, o que se deu agora foi o seu aparecimento e não sua criação. O problema, como o compreendemos pelo estudo das ciências físicas, era mais ou menos o seguinte: como já notamos, a matéria estava a princípio, em estado gasoso e foi pouco a pouco se solidificando no nosso planeta. À medida que ia esfriando a crosta da terra, os vapores que estavam no espaço, como resultado do enorme calor desprendido do planeta, foram se condensando pouco a pouco e caindo sobre a terra em forma de água, de modo a haver água embaixo e água em cima, como dizem os versos 6 e 7.

As águas suspensas no espaço não permitiam que o céu fosse visto. Um imenso oceano cobria toda a terra e um espesso nevoeiro, dificilmente deixando transparecer a luz do sol, toldava a atmosfera em cima. É certo que a terra esteve imersa por espaço de tempo ignorado, visto que em qualquer parte se encontram vestígios de vida marinha. Com isso combina o texto sagrado, como se vê nos versos 9 e 10 deste capítulo. Tal foi, pois, o trabalho deste dia. Insignificante à primeira vista, mas consideravelmente grande em si mesmo. O caos do verso 2 tinha sido fundamentalmente modificado pelo aparecimento da luz e pela separação entre águas e águas. Beleza e ordem começam a invadir este cenário em que vivemos. Há progresso e beleza nesta singela narrativa.

A linguagem de Moisés “E chamou Deus à expansão céus” não nos deve confundir, e muito menos é caso de atribuir-lhe ignorância por confundir expansão com céus. Nós usamos, muitas vezes, esta linguagem acomodava e formal, sem merecermos, por isso, a pecha de ignorantes ou descuidados. Chamamos a abóbada celeste céus, quando sabemos que os céus estão muito além, e são muito diferentes do azul do firmamento. Portanto, a palavra céus, usada daqui em diante, não deve atrapalhar-nos. Ela é empregada como sinônimo de expansão ou firmamento. O que Deus criou neste segundo dia nem foi o céu nem o firmamento, mas o espaço ou, como bem diz o texto, a expansão entre o firmamento e a terra. O lugar onde correm as nuvens carregadas de água, onde voam os pássaros, os aeroplanos etc.

A mesma linguagem usada para o primeiro dia é usada aqui: foi a tarde e a manhã, o dia segundo. De quanto tempo foi este dia, não sabemos, mas, se considerarmos os diversos processos por que passam o hidrogênio e o oxigênio, para se transformarem em água e vice-versa, vemos que grande foi o espaço de tempo tomado por este dia. Talvez menor do que o primeiro, mas grande, todavia.

 

Trabalho do Terceiro Dia – Mares, Terra e Vegetação – 1:9-13

O terceiro dia de Gênesis corresponde ao período Secundário ou Mesozóico em Geologia. Um imenso mar cobria toda a terra, por causa da condensação das grandes

camadas de vapor que tinham enchido a atmosfera por longos milênios. Dando todo o crédito à Geologia e à Paleontologia, com suas várias divisões em períodos Laurenciano e Huroniano, verifica-se perfeita analogia entre a ciência e o Gênesis. Os depósitos de grafite encontrados no Canadá pertencem a esse período e representam as mais rudimentares formas de vida vegetal, vida esta que se prolonga até ao principio do Quinto Dia, quando apareceu a vida animal. Nós temos de convir que é extremamente difícil para o geólogo determinar com precisão a concordância entre os dias da Bíblia e os períodos geológicos, visto que as alterações que a crosta terrestre sofreu modificaram muito as várias camadas em que se encontram os vestígios da vida primitiva. Contudo, é de admirar que numa época tão remota Moisés deixasse um relato abreviado da origem do mundo e da vida, que não obstante os preconceitos de muitos, continua a resistir a todos os exames e investigações. Tão grande precisão científica não se encontra em literatura alguma que nos venha da antigüidade. Nem os babilônios, nem os egípcios, nem os gregos, que herdaram a ciência destes antigos povos, (1) nos puderam dar uma filosofia tão precisa sobre a ordem e a origem das primeiras coisas. Isto deve representar muito mais que meros conhecimentos humanos, desde que nenhum outro historiador escreveu como Moisés. É por isso que nós cremos na inspiração da Bíblia. Outros sábios houve no tempo de Moisés. Admiráveis especulações filosóficas também, mas verdade como Moisés deixou em tão poucas palavras ninguém conseguiu alinhar. Dia a dia a ciência vai convencendo de que não há contradição entre a Revelação e a mesma ciência; e quando houver contradição, serão os sábios que estarão errados e não a Bíblia, como já, por muitas vezes, se evidenciou. O trabalho deste dia foi separar a terra das águas e fazer que ela produzisse ervas. A linguagem bíblica é, como sempre, simples e concisa. Ajuntem-se as águas debaixo do céu num lugar à parte e apareça a porção seca. Aceitamos candidamente que este processo se efetuou por meio de abalos vulcânicos. A terra tinha uma pequena crosta, cobrindo a parte incandescente do interior e uma formidável camada d’água cobrindo a mesma crosta.

Esta crosta ia engrossando pouco a pouco e a água ia lentamente se infiltrando, até encontrar a parte interna em fusão. Ainda, o encontro da água com a matéria em fusão

produziria, inevitavelmente, uma explosão de vapores, que, por sua vez, refletiria na superfície, alterando sua conformação grandemente. Estes abalos ou, como chamaríamos

hoje, terremotos, levantariam uma certa extensão da terra e abaixariam outra, dando lugar à elevação de montanhas e abaixamento de vales. As cordilheiras, como a dos

Andes, as montanhas, como o Himalaia, os enormes picos encontrados por toda a terra, e os profundos vales e abismos, crê-se, foram originados por estes abalos subterrâneos. A elevação de uma porção de terra e o abaixamento de outra fizeram que as águas procurassem a parte mais baixa, deixando a outra parte descoberta. Esta parte seca foi por Deus chamada terra, e a parte onde as águas se reuniram foi chamada mar. Ainda hoje se dão os mesmos fenômenos, se bem que em menor número. De um momento para outro, podem aparecer novas ilhas e desaparecer certos continentes. Bastaria um pequeno abaixamento nas imediações das ilhas britânicas, para que a Inglaterra fosse submergida. Não há muita dúvida hoje, nos círculos científicos, de que onde está agora o Oceano Atlântico houve outrora um grande continente chamado Atlântida. Os vulcões não são outra coisa senão resquícios das condições em que a terra estava neste terceiro dia.

As erupções vulcânicas são causadas pelo acúmulo de matéria incandescente que ainda se encontra no coração da terra, alimentada pela infiltração das águas oceânicas e das que caem sobre a terra, as quais vão se acumulando, até que, uma vez cheia a cratera, dá-se a erupção. À medida que se entra no coração da terra, o calor aumenta, um grau em cada trinta metros, segundo as experiências de um sábio francês. Portanto, o que Moisés diz em poucas palavras é tão verdade como é verdade tudo que se tem dito e escrito há muitos anos sobre este assunto.

Apenas apareceu a terra, Deus lhe deu a ordem de produzir relva. É crível que mesmo no fundo dos oceanos Deus tivesse criado as algas marinhas, espécies elementares de

verdura, e estas, uma vez imersa a terra, continuassem sua vegetação. A palavra hebraica traduzida erva na tradução de Almeida é traduzida relva na tradução Brasileira (1) e está muito mais de acordo com o sentido original. Há muita diferença entre relva e erva. A melhor tradução é: Produza a terra relva verde, erva que dê semente … Esta relva

pertence à família dos criptógamos, que só se reproduzem por meio de esporos, e não por sementes. A erva recebeu capacidade de produzir semente, enquanto que a relva não. Notemos a ordem da criação deste dia: (1) Relva. (2) Erva que dê semente. (3) Árvore frutífera que dê fruto. Há uma admirável ordem na criação. Há uma admirável economia do poder divino. Gesenius, famoso hebraísta alemão, traduz relva por “primeiros rebentos da terra”. Moisés não escreveu uma história natural, bem como não escreveu um tratado de Geologia sobre a primeira parte deste dia, mas nem por isso sua narrativa deixa de ser científica. A Geologia confirma que a primeira evidência de vida vegetal no globo era muito rudimentar. Antes das florestas, donde se originaram os grandes depósitos de carvão, de onde nos abastecemos para diversos fins, encontram-se vestígios de vida vegetal muito simples. As grandes florestas vêm muito depois. Estas imensas camadas de carvão de pedra foram o resultado da tremenda vegetação que cobriu a terra e dos terremotos que, alterando continuamente sua feição, sepultaram, à profundidade considerável, as florestas, e daí sua petrificação, transformando-se em carvão. Os inimigos da revelação sobrenatural têm tomado estes fatos para mostrar que houve evolução tanto nas plantas como nos animais. Primeiro relva, depois erva, em seguida árvores, e assim por diante. Mas Deus salvou desta doutrina o mundo, dando a cada planta a lei de reprodução: “Segundo sua espécie”. Deus criou certo número de famílias e deu-lhes o poder natural de se reproduzirem segundo sua espécie. Não há nada que prove que uma planta pode mudar-se noutra de diferente espécie. O alarde que se tem feito sobre a origem das espécies de Darwin tem mais fumo do que fogo, é trovoada sem chuva. Ele mesmo, depois de ensaios pacientes, concluiu que se dava o aperfeiçoamento de uma espécie, mas não a sua mutação noutra. Os criadores de gado podem melhorar suas espécies, mas não podem mudar uma espécie. Os agricultores e botânicos podem aperfeiçoar uma planta, mas nunca mudar sua espécie.

Outra coisa que a ciência moderna confirma é que muito antes de aparecer vida animal, existiu vida vegetal. O tempo ninguém pode medir, mas o fato pode ser constatado. A

vida animal vem do quinto dia. Houve, portanto, um imenso período de tempo entre a criação dos vegetais e a criação dos animais.

Diz-se que essas três espécies de plantas mencionadas aqui apareceram com intervalos imensamente grandes. No fim da época Siluriana, só havia os criptógamos e as

algas marinhas, plantas muito rudimentares. Na época Devoniana aparecem as árvores e outras plantas do reino vegetal, de estrutura desenvolvida. Se estas classificações têm razão de ser, o terceiro dia foi de longa duração, e entre a criação da relva, da erva e das árvores mediou considerável espaço de tempo. Para nós, é irrelevante o tempo que Deus gastou, se foi um momento ou miríades de séculos. Cremos que ele criou e que tudo o que o universo apresenta é o resultado das atividades divinas.

A Bíblia diz que este ato do Criador constituiu o terceiro dia, havendo tarde e manhã.

 

Trabalho do Quarto Dia – Sol e Lua – 1:14-19

Tem sido um ponto favorito para os críticos que a cosmogonia mosaica falha nos pontos mais elementares da Astronomia e se contradiz a cada passo, pondo a criação do

sol no quarto dia, quando a luz apareceu no primeiro dia. Qualquer menino de escola primária sabe, porém, que podemos ter luz mesmo sem ter sol. Os indígenas sabem fazer fogo com atrito de dois paus.

Nós, que temos os fósforos, podemos ter luz mesmo numa noite tenebrosa. Houve luz antes de haver sol. Ainda mais, todos sabemos que a terra e os demais planetas que se

encontram no espaço giram todos em torno do sol, e que este é o centro do sistema planetário. Como é que Moisés, dizem, escreve que o sol e a lua só foram criados no

quarto dia, quando não se explica a existência da terra sem o sol? Mas este é um argumento bem pobre para se fazer dele questão de controvérsia. Moisés diz que os céus

e a terra foram criados no PRINCÍPIO, e por céus e terra entendemos o universo. Logo, ele diz que todos os astros ou a matéria de que todos eles se compõem foram criados no princípio. Assim, o sol e a lua foram resultado do ato criador no princípio. Alguns comentadores crêem que a luz que Deus fez aparecer no primeiro dia não foi tanto o

resultado do atrito da matéria, mas a luz do sol mesmo, que procurava atravessar a densa névoa que ainda cobria os astros. Moisés não está discutindo a técnica da criação, mas descrevendo o fato como ele aparecia aos olhos do observador. Voltaire, que se ufanava de encontrar contradições na Bíblia, chegou a afirmar que não podia haver luz sem haver sol, e, portanto, ou não houve luz no primeiro dia ou o sol não foi criado no quarto dia.

Vejamos o que diz o texto sagrado:”Haja luminares na expansão dos céus… ” Não se diz que foram criados. O verbo haver nunca foi usado como sinônimo de criar. A forma é a imperativa do verbo ser. Mais adiante diz: “E fez Deus os dois grandes luminares …” Estes dois verbos decidem por si mesmos o problema. Deus não criou o sol e a lua no quarto dia, mas os fez aparecer. Sejam ou apareçam é o que Moisés diz. Nunca estes verbos são usados para indicar criação de alguma coisa que antes não existia. “No princípio criou Deus os céus e a terra.” No quarto dia, fez aparecer o sol e a lua; não os criou. O verbo fazer é usado 32 vezes no Velho Testamento no sentido de preparar, e não no de criar. Basta isto para nos mostrar a certeza com que Moisés descreveu, há tantos séculos, o que nos tempos que passam tem dado tanto trabalho para comprovar.

 

A função destes dois astros foi:

(1) governar o dia e a noite;

(2) marear as estações. Até aqui tinha havido dia e noite ou, de acordo com a ordem bíblica, tarde e manhã; mas daqui em diante temos dia e noite, compreendendo o

espaço de 24 horas. A nossa terra já estava dando a esse tempo as mesmas revoluções que dá hoje, mas era inapreciável sua revolução em torno do sol, visto este não estar à vista do observador. Como ficou notado, a densa névoa que cobria a terra não permitia que o sol desse luz, mas isto não importa na crença de que ele não existia antes.

Juntamente com o sol e a lua, foram feitas as estrelas. Não havia estrelas antes? Certamente que sim. Mas, por que foram feitas neste dia? Pela mesma razão indicada acima e referente ao sol e à lua. Elas lá estavam, mas não podiam cintilar, pela mesma razão que a luz do sol não podia brilhar. Dias e noites e anos começaram a existir desde este momento. A segunda função destes luminares foi trazerem ou marearem as estações. Ainda hoje estes astros servem para estações. Qualquer agricultor sabe que certa fase da lua é melhor para certa plantação do que outra. Ouvi um grande discurso, numa ocasião, em que o orador demonstrava, diante de auditório erudito, que para se poder ter uma boa colheita de batatas era preciso procurar a lua própria para plantá-las. Ele desafiou racionalistas presentes para contestarem, e fiquei até não haver mais ninguém no auditório, para ver se alguém vinha apresentar contestação, mas ninguém apareceu.

Outra expressão que merece ser mencionada é a que diz: “tempos determinados”. Que significa isto? Tempos fixos, dias, meses, anos, séculos, milênios etc. Até este ponto, os dias dependiam do tempo tomado para uma determinada atividade; agora este tempo é fixado pela lei da gravidade e sua conseqüente apreciação na volta da terra, em tomo de seu centro de gravitação.

“E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.” Já havia tempos “determinados” e fixos agora, mas a expressão ‘”tarde e manhã” continua como no princípio, como se o

aparecimento do sol e da lua não tivessem trazido ao mundo uma nova ordem de fenômenos cosmológicos.

Convém notar que nenhuma criação foi feita neste Dia. A vida vegetal do Terceiro Dia, composta de musgos, algas etc., depois árvores frutíferas, continuou através do período

em que a atmosfera se libertou das compactas camadas de gás carbônico, de maneira a tomar possível o aparecimento do Sol e da Lua. Do ponto de vista paleontológico, o

Quarto dia compreende o Paleozóico ou Primário, e o Mesozóico ou Secundário, pois que nenhuma nova forma de vida apareceu neste dia, continuando naturalmente as existentes. Daí vem que nós não podemos forçar a narrativa de Gênesis a concordar com as divisões da Geologia.

As classificações ordinariamente dadas pelos tratados de Geologia são:

(1) Período Azóico, que corresponde ao Primeiro e Segundo Dias da Criação da matéria e ao aparecimento da luz.

(2) Período Paleozóico ou Primário, que corresponde ao Terceiro Dia, quando foi criada a vida vegetal, desde os musgos até as árvores frutíferas, vida esta que se prolonga

através de todos os demais dias e períodos, inclusive o quarto, em que nenhuma atividade criadora houve.

(3) Período Mesozóico ou Secundário, que corresponde ao Quinto Dia de Gênesis, com o aparecimento da vida animal, primeiro nas águas e depois na terra. A vida vegetal

continuou, apenas diminuindo em proporções, à medida que diminuíam os gases da atmosfera.

(4) Período Cenozóico ou Terciário, que corresponde à primeira parte do Sexto Dia, em que apareceram os mamíferos de grande tamanho, alguns dos quais há muito desapareceram e outros, já muito reduzidos, tais como o elefante, o urso, o hipopótamo etc., que estão desaparecendo. Finalmente,

(5) o Período Quaternário, que, em Geologia, se divide em quaternário antigo e moderno, correspondendo à segunda parte do Sexto Dia de Gênesis, aparecendo o

homem no quaternário moderno.

De um modo geral, é esta a relação entre as duas ciências: a da Bíblia e a da Geologia e Paleontologia. Se bem que não nos preocupemos demasiadamente com as semelhanças,nem por isso deixamos de nos alegrar com elas.

 

Trabalho do Quinto Dia – Animais Aquáticos e Pássaros

Pelas notas do tópico anterior, se viu que a vida do segundo dia continua através do Quarto e do Quinto. O que há de novo neste dia é o aparecimento da vida animal. A

ordem dada pela narrativa mosaica é lógica e obedece ao plano do Criador de povoar a terra com os animais, cujas estruturas e desenvolvimento se acomodariam às condições terráqueas. Assim, (1) os peixes miúdos, (2) as aves e (3) os grandes monstros marinhos constituíram as atividades criadoras deste Período ou Dia. A Paleontologia nos presenteou com enormes escorpiões e gigantescos insetos, de que temos vaga idéia pelos fósseis. Algumas formas desapareceram completamente, tais como o Ictiosaurus, o Plesiosaurus, o Petersaurus, o Megalosaurus etc. Algumas formas de gigantescos répteis, de natureza anfíbia, aparecem neste Período. Os fósseis de algumas espécies de pássaros também nos indicam o que foi a vida nos ares naquela época. Pássaros de dentes encontram-se desde a época Jurássica.

Deveria ser maravilhoso o nosso mundo naquela época remota. Uma vegetação fantástica que nos havia de dar as imensas camadas carboníferas, o petróleo, o gás natural, os diamantes e mil outras utilidades. Por outro lado, vida abundante no mar e na terra. A Bíblia, com a sua escala da vida, é um maravilhoso livro de saber. No mar, os protozoários, espongeários, celentérios, crustáceos etc. Em terra, as aves de grandes proporções encheriam o espaço. Como tudo era grande e abundante!

É baseados nesta observação que alguns querem que estas formas elementares de vida sejam os tipos originais de onde evoluíram as formas desenvolvidas. Esta suposição, porém, cai por terra, se forem tornados em consideração outros elementos científicos relacionados com a formação da terra, que poderia a princípio receber espécies desenvolvidas; além de que todas as formas de vida receberam a ordem de se reproduzir segundo sua espécie. É precário tomar em consideração um elemento e desprezar o outro. Quem poderá crer que a terra podia, no terceiro dia, quando a atmosfera estava carregadíssima de gases, sobretudo de carbono, receber o homem ou mesmo outro animal? A não ser que Deus lhe desse uma natureza dupla, capaz de acomodar-se às condições do sexto dia, quando estes gases tinham diminuído desproporcionalmente, ser a impossível viver nos dois períodos. Está, pois, fora de especulação o fato de não ter havido a princípio formas de vida complexas, como fora de discussão fica o dar este fato qualquer subsídio à moderna doutrina evolucionista.

Notamos método e progresso, a par com desenvolvimento, e nada mais. Deus criou primeiro os répteis. Em seguida, as aves, depois os monstros marinhos, e por fim, já no

sexto dia, os animais da terra. As primeiras formas de vida sobre a terra foram as marinhas, mas ninguém poderá dizer que este relato se parece com o protoplasma do

fundo do mar, de onde os evolucionistas derivam o seu sistema. Nada mais razoável do que crer que as águas eram mais propícias à vida neste período do que a terra. A vida

aparece abruptamente sobre o planeta e nada há que possa explicar este fato senão a Bíblia. Os fósseis são flagrante testemunho disto. Não se pode afirmar que entre os peixes pequenos e os grandes mediou certo tempo, mas parece ser certo isso, visto que a Bíblia oferece margem para esta suposição e os fósseis marinhos a comprovam.

  1. “E Deus disse: produzam as águas abundantemente… É difícil exprimir em português a palavra hebraica sherets, nem temos outro recurso senão usar de uma frase:

produzir abundantemente. Nada se pode comparar, em fecundidade, aos peixes. A fêmea do salmão pode produzir, em cada estação, mais de meio milhão de filhos. Vejamos a sardinha, que chega a produzir cardumes, bem assim, o bacalhau. Parece que a vida no mar é mais variada que na terra, mas qualquer pessoa pode verificar que o salmão, a sardinha, o bacalhau e qualquer outro peixe só produzem peixes da mesma qualidade. Eles tiveram ordem de reproduzir segundo a sua espécie.

  1. “‘ … e voem as aves sobre a face da expansão dos céus…” e (no verso 21) “toda ave conforme sua espécie”. As aves foram criadas depois dos peixes, conforme a mesma

lei de reprodução.

  1. “E Deus criou as grandes baleias (monstros marinhos) … conforme suas espécies.” Não se sabe muito bem que espécie de animal aquático é representado pela palavra baleia ou, antes, monstro marinho, mas sabe-se que existiram peixes de grandes dimensões que não se encontram hoje, pelo menos na superfície das águas. Talvez, na profundeza dos mares se encontrem peixes desconhecidos e mais de uma vez estes seres estranhos já apareceram na superfície do mar, talvez arrastados por correntes vulcânicas submarinas. Existiram, não há dúvida, se é que não existem mais.

Convém notar a expressão “almas viventes”. Tanto os animais terrestres, como os marinhos, são chamados almas viventes. O homem mesmo foi feito alma vivente com o

sopro divino em seu nariz. O que esta expressão significa é difícil saber, se não for que “Deus comunicou a estes seres a vida”. Há poucos anos o mundo foi alarmado com a

descoberta de que tinham sido encontrados os diversos elementos de que se compõe o corpo animal, e que era uma questão de tempo, para se gerar a vida nos laboratórios, de modo que se poderiam fazer homens de acordo com as necessidades, tanto da guerra como da paz, do mar como da terra, da cidade como do campo. Coisa muito fascinante, e tentadora. Cada pessoa podia, assim, escolher o tipo que quisesse. Mas os tempos vão se escoando e o costume velho continua, isto é, cada novo ser vem ao mundo pelo mesmo processo do tempo de Adão, quando nada se sabia de laboratórios. A vida é um dom de Deus. Os escultores fazem estátuas e os modistas desenham seus manequins, mas vida, não a podem dar. Esperemos pacientemente pelas investigações científicas, e apoiemo-las no que elas trouxerem de novo e útil, mas será uma triste ilusão, se esmerarmos que a vida nos venha dos laboratórios. Deus criou todo o reino animal, “alma vivente”. “Frutificai e multiplicai-vos.” Deus não criou tantos animais como existem hoje, mas criou todas as espécies. Esta é a declaração enfática, categórica, simples e singela da Bíblia. Não somente “multiplicai-vos”, mas “multiplicai-vos segundo vossa espécie”.

 

Trabalho do Sexto Dia – Animais Aquáticos e Pássaros

Coube à Biologia mostrar como as virtudes e defeitos dos pais se transmitem aos filhos de geração em geração, sem que se precise de qualquer desvio. Milênios antes de a

Biologia decidir assunto tão palpitante, quer para a ciência quer para a Bíblia, já Moisés tinha declarado que as plantas, os animais e os homens se reproduzem segundo suas

espécies. O evolucionismo está para sempre liquidado.

O Homem, a Criação por Excelência – Gênesis 1:26-2:7

A segunda parte do dia foi tomada para a criação do mais alto ser – o Homem. A linguagem em que Moisés nos dá a história da criação do homem é significativa: E Deus

disse: façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança.” Para com nenhuma outra criação Deus usou linguagem tão expressiva, o que bem mostra a

superioridade do homem sobre todos os demais seres criados. Um ato especial presidiu a sua criação, e linguagem especial foi usada. “Cada passo na criação ,diz o Dr. Carrol, foi uma profecia da vinda do homem”. Este mundo é digno da presença de um ser como o homem, ainda que este, em seus pecados, se desvirtue e se aniquile, separando-se de Deus e fazendo do mundo mesmo e seus prazeres o seu deus. Mas quem não se abismará, ao pensar nos imensos recursos armazenados no coração da terra, para gáudio e conforto do homem?

Façamos o homem à nossa imagem… Que significa esta linguagem? Com quem está Deus tomando conselho? Que significa “nossa imagem e semelhança”? Diremos primeiro o que significam o pronome e o verbo no plural.

Há três interpretações possíveis para este texto:

(1) Que Deus está associando os anjos à criação do homem, portanto, invocando sua cooperação.

(2) Que Deus está falando em estilo real, à semelhança dos antigos monarcas.

(3) Que este pronome e este verbo no plural incluem as três pessoas da Trindade.

Sobre a primeira interpretação obsta-se que, conquanto os anjos se tenham alegrado quando Deus lançou os fundamentos da terra, todavia, eles não aparecem em parte

alguma como co-participantes na criação. Seria, aliás, uma honra demasiado grande para seres criados.

Sobre a segunda interpretação, objeta-se também que este estilo real, não se encontra nos escritos dos antigos e que era mesmo desconhecido. É estilo moderno e tem

mais de democrático que de real.

A terceira é aceitável, por estar de acordo com o teor geral da Bíblia, de que as três pessoas da Santíssima Trindade tomaram parte na criação (Gên. 1:4; João 1:1-5 e ref.).

*Nossa imagem e nossa semelhança” significam a mesma coisa. Não se podem referir à imagem física de Deus, por que ele não tem forma. Deus é espírito, diz Jesus Cristo. É notável, entretanto, que, não tendo Deus forma, sempre que se manifesta antropomorficamente, escolhe a forma humana. Ou porque o homem seja a forma mais

ideal, ou porque esta forma tenha algo de superior, que nós não podemos compreender.

Deus Jeová apareceu muitas vezes a Abraão, Jacó, Isaque e outros personagens, sendosempre na forma humana.

“Imagem e semelhança de Deus” só tem paralelo no homem moralmente. Ele é um ser moral, racional e espiritual. Se em tudo mais ele se pudesse igualar com os outros animais, sua razão, espiritualidade e moralidade o tornariam infinitamente superior a qualquer outro animal. Além disto, tem consciência de que é reflexo de sua natureza moral, tem vontade livre e racional, tem capacidade de escolher inteligentemente. Estes predicados o tornam o rei de toda a criação.

“Imagem e semelhança”, crêem alguns teólogos, incluem somente personalidade e tendência para a religião. Não se desconhece que a personalidade é maior que qualquer

outra coisa no Reino Moral, mas há outros predicados verificáveis no homem, que o tornam semelhante a Deus em mais coisas do que na personalidade. Os atributos morais e de santidade devem ser incluídos na personalidade do homem, ou ele não poderá ser a imagem e semelhança de Deus. “Santidade” é um atributo fundamental de Deus e deve, necessariamente, ser um atributo do ser criado à sua imagem. Algumas escrituras ensinam que esta qualidade é inerente ao homem (Ecl. 7:29; Ef. 4:24; Col. 3:10). Esta verdade da inerência moral do homem é o seu maior predicado e ascendência sobre todos os brutos.

Por mais degradado que seja um homem, sempre revela maior ou menor propensão para a moral. É uma tendência sua que pretende reviver a imagem de Deus em si, perdida por Adão. Esta constante luta em direção ao céu é mais que “personalidade* e tendência religiosa. Também Satanás é uma personalidade, mas com tendência para a perdição e com espírito religioso desassociado de Deus. O homem foi criado para refletir o caráter do bem, tanto quanto pode ser demonstrado. Podemos enumerar os predicados do homem, que não só o colocam infinitamente acima de toda a demais criação, mas o tornam a imagem e semelhança de Deus:

(1) vontade;

(2) livre arbítrio e

(3) santidade.

Outros predicados secundários:

(1) responsabilidade;

(2) espírito religioso;

(3) amor;

(4) espírito em contraposição com alma vivente;

(5) reflexo da imagem de Deus em sua forma física;

(6) domínio sobre as paixões carnais;

(7) domínio sobre a criação e

(8) comunhão com Deus. (1)

(1) A palavra ALIO significa, no pensamento hebreu, o “pai de todos os viventes”, assim como Eva significa “vida”. Adão, em hebraico, é o Ânthropo do Grego, que significa

“o que olha para cima”. Homo, em latim, pensava-se que provinha de humus, a terra, mas essa interpretação foi abandonada, para aceitar a que significa “o que fala”. A Cosmogonia Fenícia chama-o Adam Quadmu, o que “nasce da terra”. No Egito pensava-se que tinha ele sido feito do lodo do Nilo. A narrativa caldaica chamava o primeiro homem “o que a terra produz”.

O homem foi criado com corpo e espírito, enquanto que todos os outros animais foram criados corpo e alma vivente. Devemos fazer distinção entre “espírito” e alma

vivente. O sopro divino no homem não o tornou um “ser divino”, mas tornou-o infinitamente superior a qualquer outro animal, visto que ele se tornou alma vivente só

depois que o espírito lhe foi comunicado. Jó 27:3 descreve, com toda a precisão, que o espírito do homem não é alma animal e que, não obstante ser vida, o princípio que anima seu ser, esta vida, é de origem divina. A palavra Neshama não é empregada na criação dos outros animais nem expressa meramente vida animal (Gên. .7:21-23; Deut. 20:16-22; Js. 11:11-14; 1 Reis 17:17). O espírito do homem foi, portanto, o resultado do ato especial de Deus, assim como foi o seu corpo. Quanto aos peixes, ele diz: “Produzam as águas abundantemente”. Quanto aos outros animais, diz: ” Produza a terra.” Mas, quanto ao homem, diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. O homem é, pois, diferente na criação, na vida e na morte. Esta diferença o separa de todos os demais seres criados e o une, em ser, natureza e atividade, com o Criador (Prov. 20:27; Jó 5.33:4; 27:2,3). Daqui em diante não só toda a criação, mas todas as atividades de Deus são para tornar esse homem feliz e digno de seu Criador. Vejamos o

programa e missão do homem.

 

Completado, assim, o programa criativo, Deus descansa no sétimo dia.

Deus descansou, não porque estivesse cansado, mas porque cessou sua obra criadora; mas não descansou da obra governadora nem da obra providencial. Só no primeiro sentido Deus descansou. Este dia de descanso é ensinado através de todo o Velho Testamento e é típico do dia do Senhor no N.T., bem como uma lição objetiva ao homem de todos os tempos. O homem deve descansar de duas formas: (a) fisicamente e (b) moralmente. Deus descansou para nosso descanso. O homem que não descansa morre cedo. É um problema que não deve ser negligenciado por nenhum governo. De sua observância ou não decorre a virilidade da raça. A mente do homem deve descansar das coisas materiais; precisa meditar, comungar com Deus. Nada é mais ruinoso à sociedade do que a abstenção do culto. O materialismo, a imoralidade e tantas outras coisas que estão minando a estrutura orgânica da sociedade e da família têm sua origem na falta de espiritualidade. O embrutecimento de um povo é fácil, quando esse mesmo povo deixa o seu espírito ao abandono.

A palavra sábado vem da palavra hebraica Shabbath, que significa descansar de trabalhos temporais, para fins santos.

1 . O homem foi criado:

(a) Inocente em si mesmo e à vista de Deus.

(b) Em comunhão com o Criador.

(e) Em feliz harmonia com todo o programa criativo.

(d) Livre da morte. Esta veio como conseqüência do pecado que aboliu a relação existente entre o homem e Deus. Quebrou-se o elo da vida eterna, e o homem morreu.

  1. Foi criado para encher a terra: “Frutificai e multiplicai-vos.” Deus podia fazer com a raça humana o que fez com os outros animais, mas deixou este privilégio para o homem,

que é uma parte do programa divino. A concessão de uma ajudadora, além do seu fim social, teve como objeto a execução deste plano de Deus. Nada há mais sublime e divino na terra que a lícita propagação e multiplicação da raça humana, e Deus mesmo tem rodeado este programa dos mais intensos afetos e privilégios. Nada há na estrutura social que rivalize com o casamento, e nenhum outro gozo suplanta o que produz a chegada de um ser a este mundo, trazendo nos lábios o doce nome de mãe. Nenhum outro pecado é de conseqüências tão funestas à sociedade como a corrupção dessa instituição divinosocial.

  1. Foi criado para domínio e conquista:

(a) “Sujeitai a terra,

(b) dominai sobre seus habitantes e

(e) sobre todos os seus poderes.” Este é um dos característicos mais salientes do homem – dominar e governar. Cada dia este programa está sendo mais expansivo. Hoje ele domina a terra, o mar e os ares. Está indo além do seu programa e comissão. Poucas Escrituras se tem tornado tão práticas como esta.

  1. Destinado a todas as bênçãos da terra. Em sua comissão de governar é incluída a prescrição alimentar. Toda a erva e fruto da terra, bem como todos os animais, são para

alimentar o rei da criação. Tem-se procurado provar que a disposição edível do homem é contrária ao uso de carnes, e que só escolheu para seu alimento as ervas e os frutos, mas aqui Deus declara que todo animal em que há alma vivente será para alimentar o homem.

A divisão entre animais limpos e imundos veio mais tarde, com o cerimonialismo judaico (Lev. 17:10-18; ver Atos 15:9-20). Está, assim, completo o programa criador. Nada falta na terra para que seja o paraíso.

 

O DIA SÉTIMO (Gên. 2:1-3)

“Tudo que Deus tinha feito era muito bom”, até a sua própria vista. Estava pronta a grande obra da criação. O plano onde tantos dramas haviam de realizar-se nas eras

vindouras acabava de sair das mãos do supremo artífice e era muito bom, não tinha defeito. O pecado ainda não tinha entrado no mundo e destruído a grande obra. “E os

céus e a terra foram acabados.” A referência é principalmente à terra. Não somente a terra e os céus, mas todas as suas hostes. Esta palavra significa hoste organizada.

O escritor de Gênesis contempla a terra pronta, com todos os elementos que lhe dão vida e beleza. Toda a criação obedeceu a um plano de Deus. Nada surgiu por acaso. Fosse qual fosse o tempo para criar tudo que o nosso planeta contém, tudo obedeceu a um plano. A Bíblia o diz e toda a verdadeira ciência o confirma. A luz da estrela mais remota que se conhece leva 330 mil anos para chegar à terra e crêem os astrônomos que a luz de algumas estrelas ainda não chegou a nós, a despeito de correr 300 mil quilômetros por segundo. Todas estas grandezas e a imensa pequenez de um átomo são partes essenciais deste grande todo que Deus completou nos seis dias da criação. Um cientista afirmou que a destruição de uma mônada alteraria a conformação do universo inteiro. Um mundo ou universo como este precisaria ter um Deus como a Bíblia revela. A pobreza materialista nunca conseguirá explicar a origem e governo do universo. Só a Bíblia o faz.

Completado, assim, o programa criativo, Deus descansa no sétimo dia. Deus descansou, não porque estivesse cansado, mas porque cessou sua obra criadora; mas não descansou da obra governadora nem da obra providencial. Só no primeiro sentido Deus descansou. Este dia de descanso é ensinado através de todo o Velho Testamento e é típico do dia do Senhor no N.T., bem como uma lição objetiva ao homem de todos os tempos. O homem deve descansar de duas formas: (a) fisicamente e (b) moralmente. Deus descansou para nosso descanso. O homem que não descansa morre cedo. É um problema que não deve ser negligenciado por nenhum governo. De sua observância ou não decorre a virilidade da raça. A mente do homem deve descansar das coisas materiais; precisa meditar, comungar com Deus. Nada é mais ruinoso à sociedade do que a abstenção do culto. O materialismo, a imoralidade e tantas outras coisas que estão minando a estrutura orgânica da sociedade e da família têm sua origem na falta de espiritualidade. O embrutecimento de um povo é fácil, quando esse mesmo povo deixa o seu espírito ao abandono.

   

Referências Bibliográficas (outras estão acima) Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.

Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.

BÍBLIA ILUMINA EM CD – BÍBLIA de Estudo NVI EM CD – BÍBLIA Thompson EM CD.

CPAD – http://www.cpad.com.br/ – Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP – Bíblia de Estudos Pentecostal.

VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE – http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

www.ebdweb.com.br

www.escoladominical.net

www.gospelbook.net

www.portalebd.org.br/

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm

GÊNESIS – Introdução e Comentário – REV. DEREK KIDNER, M. A. – Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo – SP, 04602-970

Gênesis a Deuteronômio – Comentário Bíblico Beacon – CPAD – O Livro de Gênesis – George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.

Revista CPAD – Lições Bíblicas – 1995 – 4º Trimestre – Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas – Comentarista pastor Elienai Cabral

 Estudo no livro de Gênesis, Antônio Neves de Mesquita

Publicado no site do Ev. Luiz Henrique

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