A Criação dos Céus e da Terra – EBD Comentada

A Criação dos Céus e da Terra – EBD Comentada

PONTO CENTRAL
Pela fé cremos que Deus criou os céus e a terra.


I. INTRODUÇÃO

Em primeiro lugar, precisamos entender que o relato da criação não é uma alegoria ou qualquer coisa do tipo; a narrativa do Gênesis fala de uma história real, que aconteceu extamente como foi escrita.

Como bem observa o apologeta Ken Ham, principal mentor do ministérioAnswers In Genesis (respostas em Gênesis), a palavra hebraica para dia éyom, cujo uso no Antigo Testamento (na maioria das vezes) tem o sentido de dia literal. Quando não é assim, o contexto deixa isso bem claro[1].

Em artigo no site do referido ministério, o Doutor Terry Mortenson analisa os pontos de vista de quatro dos mais influentes teólogos e comentaristas bíblicos da história – Agostinho, Lutero, Calvino e Wesley – e conclui que todos creram e defenderam a narrativa do Genesis como sendo uma história real e literal, livre de erros[2]. Isso não significa que a Bíblia toda não contenha simbolismos ou figuras de linguagem; sim, ela tem.

Muitos cristãos tentam harmonizar a narrativa bíblica com a teoria evolucionista, que diz que a terra tem milhões de anos de existência. Para estes crentes, Deus fez uso de um processo evolucionário para criar. Tal possibilidade parece não ter nenhum respaldo bíblico e muito pouco respaldo entre os pensadores e estudiosos da cristandade.

Em nota, a Bíblia de Estudo Plenitude explica a repetição da expressão “a tarde e a manhã”, no capítulo 1 de Gênesis, dizendo que:

Os hebreus iniciavam um novo dia ao pôr-do-sol. Esta designação temporal, junto com a numeração dos dias e o sábado de descanso no dia sétimo, mostra que o autor vê a criação como um episódio que se enquadra num ciclo de 24 horas cada, seguido por um sétimo dia de descanso divino.[3]

A mesma obra assinala que as leis da genética foram introduzidas nos reinos vegetal e animal, daí a repetição da expressão “segundo a sua espécie”. Tais leis impedem qualquer evolução para outro tipo de animal: um pardal jamais poderá se transformar num abutre.[4]


II. DOUTRINA BÍBLICA DA CRIAÇÃO

A doutrina bíblica da criação afirma que Deus criou tudo que existe a partir de sua Palavra. Pela fé cremos neste ensino.

Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.
Hebreus 11:3

O escritor Orlando Boyer define o verbo criar como “dar existência a, tirar do nada”[5], conceito que corrobora com a confissão do verso acima. A criação de Deus não é derivada de alguma coisa aparente ou “visível”, como relata a versão NVI, mas foi trazida à existência pelo poder da Palavra de Deus.

Este “tirar do nada” é a tradução do latim ex nihilo. Uma definição sintética (ao mesmo tempo completa) e saudável, portanto, seria:

Pelo poder da Sua Palavra, o SENHOR trouxe à existência os mundos.

As Escrituras dão testemunho de um Deus que criou todas as coisas:

Assim como você não conhece o caminho do vento, nem como o corpo é formado no ventre de uma mulher, também não pode compreender as obras de Deus, o Criador de todas as coisas.
Eclesiastes 11.5 (NVI)

Não é semelhante a estes a porção de Jacó; porque ele é o criador de todas as coisas; e Israel é a vara da sua herança: Senhor dos Exércitos é o seu nome.
Jeremias 10.16 (ARC)

Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o Senhor e não há outro.
Isaías 45.18

A partir da observação que fazemos da natureza, percebemos que ela também dá testemunho da criação Divina:

Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
– Romanos 1.20

O Salmo 19 (especialmente até o verso 6) e o 104 também falam desse testemunho dado pela natureza. O Salmo 104 tem uma particularidade: além de exaltar o Deus criador, fala do seu cuidado em manter sua criação.


III. NOSSO DEUS É SENHOR DO TEMPO

Embora a narrativa do Gênesis não relate de maneira explícita, sabemos que Deus tanbém criou o tempo. Ele criou tudo; naturalmente, o tempo está incluído nesse “tudo” que Deus criou. Vários trechos da Palavra de Deus nos mostram qual a relação do nosso Deus com o tempo.

Antes de analisarmos alguns versos, precisamos entender que o Senhor é eterno, não tem começo nem fim. A bem da verdade, podemos dizer que houve um “tempo” em que nada existia, nem mesmo o tempo. Nessa época o Senhor já era Deus:

Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus. – Salmos 90.2

Somando-se a isso, o Novo Testamento vem revelar que o Senhor é Pai da Eternidade:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. – Isaías 9.6

Discorrendo sobre estas coisas, Thiessen diz que:

Ele é também a causa do tempo (Hb 1.2 / 11.3). Tanto tempo quanto espaço estão entre todas as coisas que “foram feitas por intermédio d’Ele” (Jo 1.3).[6]

Outra expressão muito interessante que a Bíblia usa é “antes dos tempos dos séculos” presente em Tito 1.2 e 2 Timóteo 1.9, que também revela que Deus sempre existiu, nunca deixou de existir.

E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. – Êxodo 3.14
Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. – João 8:58


IV. A TRINDADE E OS ANJOS NA CRIAÇÃO

Por causa da expressão “façamos”, no verso 26, a teologia cristã entende que o Senhor não estava sozinho no planejamento e execução da criação, mas o Espírito Santo, o Filho e também os anjos estavam muito ativos.

Em nota, a BEP afirma:

Deus estava falando, não somente para aquilo que o Novo Testamento revela como a Trindade, mas para todo o Exército dos Céus, incluindo os anjos.[7]

Seguindo a mesma linha de raciocínio e citando passagens em que Deus parece se comunicar com alguém, uma nota da Bíblia de Estudo NVIcomenta:

Deus fala como Rei-Criador, anunciando aos membros de sua corte celeste a sua obra suprema (Gn 3.22 / 11.7 / Is 6.8 / Jó 15.8).[8]

Meditemos agora, em algumas passagens do Antigo Testamento que afirmam enfaticamente a participação do Espírito Santo na criação:

Quem mediu na concha da sua mão as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu numa medida o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças? Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu conselheiro o ensinou? – Isaías 40:12,13

Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra.
Salmos 104.30

O Espírito de Deus me fez; o sopro do Todo-poderoso me dá vida. Jó 33.4 (NVI)

Não só o Espírito de Deus estava ativo, mas o Verbo (Jesus) também, o que se confirma em João 1.1-18 e também se identifica claramente em outras passagens das Escrituras. Entendamos um pouco sobre a “Cristologia da Criação”, se é que posso chamar assim:

a) Tudo foi criado por Ele:
Jo 1.3 / Cl 1.15 / Hb 1.2, / Hb 1.10

b) Tudo foi criado n’Ele: Cl 1.16 / Ef 1.23 / Jr. 23.24

c) Tudo foi criado para Ele:
Cl 1.16 / Hb 1.2 / Mt 11.27 / Jo 3.35, 13.3 / Rm 8.17


Concluímos com este belo louvor do Carlinhos Félix:
Maestro da Criação
Ouça, medite e glorifique a Deus!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Comentário retirado e adaptado do subsídio teológico da revista Lições Bíblicas CPAD, edição do Professor, p. 13. 4º Trimestre de 2015;
[2] Biblical Interpretation, acesso em 06/10/15;
[3, 4] HAYFORD, Jack W. et al (Ed.). Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri, Sp: Sbb, 2001. pp. 4,5;
[5] BOYER, Orlando Spencer. Pequena Enciclopédia Bíblica. 7. ed. São Paulo, Sp: Editora Vida, 1998. p. 172;
[6] THIESSEN, Henry Clarence. Palestras Introdutórias à Teologia Sistemática. São Paulo, Sp: Editora Batista Regular, 2010. p. 82;
[7] HAYFORD, Jack W. et al (Ed.). Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri, Sp: Sbb, 2001. p. 5;
[8] BARKER, Kenneth et al (Org.). Bíblia de Estudo NVI. São Paulo: Editora Vida, 2003. p. 7.

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  • As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Corrigida Fiel (ACF), salvo indicação ao contrário.
  • Siglas:
    ARC – Almeida Revista e Corrigida
    NVI – Nova Versão Internacional
    BEP – Bíblia de Estudo Plenitude
  • Nossa proposta é divulgar notas curtas – breves recortes daquilo quelemos, vemos, ouvimos e/ou pensamos – portanto, nosso comentário não é aprofundado.

Publicado no blog EBD Comentada

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