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A Importância da Santa Ceia - Jean Claude

INTRODUÇÃO

O Novo Testamento demonstra que o principal objetivo da reunião da igreja primitiva era o “partir do pão”, ou a “Ceia do Senhor”. Isto fica claro em passagens como At 20.7 e 1Co 11.20,33. Em sua carta à igreja de Corinto, Paulo censura aos irmãos por desviarem-se do objetivo normal da assembléia, repreendendo-lhes não por reunir-se para comer a Ceia do Senhor (que era o que deviam ter feito), mas por reunir-se para comer sua própria ceia!
Nessa lição, faz-se necessário detalhar um pouco mais a leitura em classe, que se constitui em meio caminho andado para subsidiar a lição. Os versículos (17-22) que antecedem a leitura em estudo, demonstram que o apóstolo Paulo censura mais uma vez os coríntios, pelo fato de causarem desordem e escândalos em uma instituição tão sagrada como a Santa Ceia. Para corrigir essas grosserias e irregularidades, o apóstolo destaca aqui a sagrada instituição da Ceia do Senhor:

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (1Co 11.23-32)

“…eu recebi do Senhor o que também vos ensinei…” (v.23). Paulo não estivera entre os apóstolos na primeira instituição, mas ele tinha conhecimento desse assunto por revelação de Cristo; e o que ele havia recebido ele comunicou, sem modificar nada da verdade e, sem acrescentar nem diminuir.

Nesse texto, Paulo nos dá um relato mais detalhado do que em qualquer outro lugar:

1. Do autor - nosso Senhor Jesus Cristo. Somente o Rei da igreja tem poder para instituir sacramentos.

2. Do tempo da instituição: ela ocorreu “na noite em que foi traído”, justo quando ele estava iniciando os seus sofrimentos, os quais devem ser celebrados dessa maneira.

3. Da instituição em si mesma. Nosso Salvador tomou o pão, e quando Ele deu graças, ou abençoou (conforme está em Mt 26.26), “o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.” (vv. 24-25). Observe os elementos desse sacramento:

(1) O pão e o cálice. O que é comido é chamado “pão” - embora que os papistas chamem de consagração - e, embora que seja dito ao mesmo tempo que é o corpo do Senhor, um claro argumento de que os apóstolos não conheciam nada da monstruosa e absurda doutrina da transubstanciação dos papistas. Com relação ao segundo elemento, Mateus nos fala que nosso Senhor mandou que todos bebessem dele (Mt 26.26-27), como se Ele, pela expressão, impusesse uma advertência contra o impedimento que os papistas fariam ao leigo de participar do cálice.

OBS.: Em nenhum momento é especificado que bebida era que estava dentro do cálice.

(2) As ações sacramentais. A maneira em que os elementos do sacramento devem ser usados.

a) As ações de nosso Salvador, que consistiram em tomar o pão e o cálice, dar graças, partir o pão e distribuir um e outro;

b) As ações dos comungantes, que consistiam em tomar o pão e comê-lo, tomar o cálice e beber dele, e ambas em memória de Cristo. Cada uma dessas ações tem um significado:

Nosso salvador, havendo se encarregado de realizar uma oferta de si mesmo a Deus e de obter, através de sua morte, a remissão de pecados, com todos os outros benefícios do evangelho, para os verdadeiros crentes, entregou, na instituição, seu corpo e sangue, com todos os benefícios conseguidos através de sua morte, a seus discípulos, e continua a fazer o mesmo em todo momento em que a ordenança é administrada aos verdadeiros crentes. Isto é apresentado como o alimento das almas.

(3) As finalidades dessa instituição.

a) Ela foi designada para ser realizada “em memória de Cristo”, para manter vívido em nossas mentes um favor antigo, sua morte por nós, como também para lembrar um amigo ausente, e até Cristo intercedendo por nós, em virtude de sua morte, à mão direita de Deus. O lema dessa ordenança, e o seu verdadeiro significado, é: Quando virdes isso, lembrai-vos de mim.

b) Ela deveria anunciar a morte de Cristo, declará-la e publicá-la. Não é apenas em memorial de Cristo, do que Ele fez e sofreu, que a sua ordenança foi instituída; nós declaramos a sua morte como sendo a nossa vida, a fonte de todos os nossos confortos e esperanças. Nós confessamos diante do mundo, por esse serviço verdadeiro, que somos os discípulos de Cristo, que confiamos somente nele para a salvação e aceitação diante de Deus.

(4) Ainda em relação a essa ordenança:

a) Sua celebração deve ser freqüente: “todas as vezes que comerdes este pão…”. As igrejas antigas celebravam essa ordenança a cada dia do Senhor (At 20.7), se não o faziam todos os dias em que elas se reuniam para a adoração.

b) Que ela seja perpétua. A ordenança deve ser celebrada até que venha o Senhor; até Ele vir pela segunda vez, para a salvação daqueles que crêem e para julgar o mundo. Esta é a nossa garantia por guardar essa festa.

“Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente…” (v.27). O apóstolo apresenta o perigo de receber a ordenança indignamente, ou seja, com intenções opostas ao seu motivo, ou uma disposição mental que lhe seja completamente inadequada (como festejos e partidarismos). Em outras palavras, quem vive uma vida de pecado não pode está, ao mesmo tempo, confessando, renovando e confirmando sua aliança com Deus. Portanto, quem assim faz “será culpado do corpo e do sangue do Senhor”, de violarem essa sagrada instituição, de desprezarem seu corpo e seu sangue. Eles agem como se profanassem o sangue do testamento com que foram santificados (Hb 10.29).

“Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação…” (v.29). É um grande risco. É o mesmo que provocar a Deus e, provavelmente, atrairão punição sobre si mesmo o que assim faz. Cada pecado é condenatório em sua natureza; e, por essa razão, com certeza é assim com um pecado tão abominável como profanar uma ordenança santa.

OBS.: Vale salientar que, tanto esse pecado como todos os outros, cedem lugar ao perdão por meio do arrependimento.

“…não discernindo o corpo do Senhor”. Os coríntios vinham à mesa do Senhor como para uma festa comum, sem fazer distinção entre aquela comida e uma comida comum, colocando ambas num mesmo nível; além disso, eles usavam de muito mais indecência nessa festa sagrada do que teriam feito em uma festa comum. Isto era muito pecaminoso, e muito desagradável a Deus, e atraía o seu julgamento sobre eles:

“Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem.” (v.30). Alguns foram punidos com doenças e outros com a morte. Note que receber de maneira irreverente e sem cuidado da mesa do Senhor pode trazer punições temporais. Contudo, o texto parece sugerir que até aqueles que eram assim punidos estavam em um estado de favor de Deus, pelo menos muitos deles: eles eram julgados pelo Senhor, para não serem “condenados com o mundo” (v. 32). Então, a punição divina é um sinal do amor divino (Hb 12.6), especialmente com um propósito misericordioso, para evitar sua condenação final.

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo…” (v.28). É o dever daqueles que vêm à mesa do Senhor, testar-se e aprovar-se a si mesmo, pelo propósito sagrado dessa santa ordenança, sua natureza e seu uso. Tal auto-exame é necessário para uma correta participação nessa santa ordenança.

“Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.” (v.31). Se nos examinássemos e explorássemos inteiramente, e nos condenássemos e corrigíssemos o que encontrássemos de impróprio, preveniríamos julgamentos divinos. Não devemos julgar os outros, para que não sejamos julgados (Mt 7.1); mas devemos julgar a nós mesmo, para evitar sermos julgados e condenados por Deus.

O QUE É A SANTA CEIA?

A Santa Ceia é uma doutrina bíblica. O apóstolo Paulo recebeu essa instrução pela revelação direta do Senhor Jesus Cristo (v. 23) e, de acordo com o registro bíblico, ele foi instruído na Arábia, onde passou três anos (Gl 1.11,12, 15-17), nesse período não há registros sobre a vida de Paulo.
A Santa Ceia é a cerimonia mais importante dentro do cristianismo, e sua importância é tão grande que o Senhor Jesus chegou a declarar:

“Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele” (Jo 6.53-56).

Assim define o autor Myer Pearlman: “a Ceia do Senhor ou Comunhão é o rito distintivo da adoração cristã, instituído pelo Senhor Jesus na véspera de sua morte expiatória. Consiste na participação solene do pão e vinho, os quais, sendo apresentados ao Pai em memória do sacrifício inexaurível de Cristo, tornam-se um meio de graça pelo qual somos incentivados a uma fé mais viva e fidelidade maior a ele” (PEARLMAN, Myer - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Ed. Vida).

OS PONTOS-CHAVES DA ORDENANÇA

(a) Comemoração. “Fazei isto em memória de mim.” Cada ano, no dia 4 de julho, o povo norte-americano recorda de maneira especial o evento que o fez um povo livre. Cada vez que um grupo de cristãos se congrega para celebrar a Ceia do Senhor, estão comemorando, dum modo especial, a morte expiatória de Cristo que os libertou dos pecados. Por que recordar a sua morte mais do que qualquer outro evento de sua vida? Porque a sua morte foi o evento culminante de seu ministério e porque somos salvos, não meramente por sua vida e seus ensinos, embora sejam divinos, mas por seu sacrifício expiatório.

(b) Instrução. A Ceia do Senhor é uma lição objetiva que expõe os dois fundamentos do Evangelho:

1) A encarnação. Ao participar do pão, ouvimos o apóstolo João dizer: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nos” (João 1:14); ouvimos o próprio Senhor declarar: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo” (João 6:33).

2) A expiação. Mas as bênçãos incluídas na encarnação nos são concedidas mediante a morte de Cristo. O pão e o vinho simbolizam dois resultados da morte: a separação do corpo e da vida, e a separação da carne e do sangue. O simbolismo do pão partido é que o Pão deve ser quebrantado na morte (Calvário) a fim de ser distribuído entre os espiritualmente famintos; o vinho derramado nos diz que o sangue de Cristo, o qual é sua vida, deve ser derramado na morte a fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às almas necessitadas.

(c) Inspiração. Os elementos, especialmente o vinho, nos lembram que pela fé podemos ser participantes da natureza de Cristo, isto é, ter “comunhão com ele”. Ao participar do pão e do vinho da Ceia, o ato nos recorda e nos assegura que, pela fé, podemos verdadeiramente receber o Espírito de Cristo e ser o reflexo do seu caráter.

(d) Segurança. Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue”! (1 Cor. 11:25). Nos tempos antigos a forma mais solene de aliança era o pacto de sangue, que era selado ou firmado com sangue sacrificial. A aliança feita com Israel no Monte Sinai foi um pacto de sangue. Depois que Deus expôs as suas condições e o povo as aceitou, Moisés tomou uma bacia cheia de sangue sacrificial e aspergiu a metade sobre o altar do sacrifício, significando esse ato que Deus se havia comprometido a cumprir a sua parte do convênio; em seguida, ele aspergiu o resto do sangue sobre o povo, comprometendo-o, desse modo, a guardar também a sua parte do contrato (Êxo. 24:3-8). A nova aliança firmada por Jesus é um pacto de sangue. Deus aceitou o sangue de Cristo (Hb 9.14); portanto, comprometeu-se, por causa de Cristo, a perdoar e salvar a todos os que vierem a ele. O sangue de Cristo é a divina garantia de que ele ser benévolo e misericordioso para aquele que se arrepende. A nossa parte nesse contrato é crer na morte expiatória de Cristo. (Rom. 3:25,26.) Depois, então poderemos testificar que foram aspergidos com o sangue da nova aliança. (1Ped. 1:2.)

(e) Responsabilidade. Quem deve ser admitido ou excluído da Mesa do Senhor? Paulo trata da questão dos que são dignos do sacramento em 1Cor. 11:20-34. “Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber este cálice do Senhor indignamente, será culpado (uma ofensa ou pecado contra) do corpo e do sangue do Senhor.” Quer isso dizer que somente aqueles que são dignos podem chegar-se à Mesa do Senhor? Então, todos nós estamos excluídos! Pois quem dentre os filhos dos homens é digno da mínima das misericórdias de Deus? Não, o apóstolo não está falando acerca da indignidade das pessoas, mas da indignidade das ações. Sendo assim, por estranho que pareça, é possível a uma pessoa indigna participar dignamente. E em certo sentido, somente aqueles que sinceramente sentem a sua indignidade estão aptos para se aproximar da Mesa; os que se justificam a si mesmos nunca serão dignos. Outrossim, nota-se que as pessoas mais profundamente espirituais são as que mais sentem a sua indignidade. Paulo descreve-se a si mesmo como o “principal dos pecadores” (1Tim. 1:15). O apóstolo nos avisa contra os atos indignos e a atitude indigna ao participar desse sacramento. Como pode alguém participar indignamente? Praticando alguma coisa que nos impeça de claramente apreciar o significado dos elementos, e de nos aproximarmos em atitude solene, meditativa e reverente. No caso dos coríntios o impedimento era sério, a saber, a embriaguez.

O PROBLEMA DA IGREJA NA CELEBRAÇÃO

O problema básico surgiu do costume de celebrar a Ceia do Senhor junto com a “Ceia da igreja” (vv.20,21). Embora não tenhamos todos os detalhes, com toda a certeza a observância da comunhão era informal. Uma vez que os cristãos não tinham edifícios usados como igreja, suas reuni­ões ocorriam freqüentemente nas casas maiores, dos ricos. Eles se reuniam “em um só lugar” (uma frase infelizmente não traduzida em algumas versões: veja também At 1.15; 2.1,44). Reuniam-se fisicamente, mas estavam espiritualmente divididos. As refeições para grandes grupos eram servidas na sala de jantar e no átrio, e os membros ricos for­neciam a maior parte da comida. O pro­blema era que cada um dos ricos tomava “antecipadamente a sua própria ceia” (1Co 11.21), deixando pouco ou nada para os pobres, que constituíam a maioria da congregação. Os ricos podiam chegar cedo; os pobres e os escravos só podiam vir a pós concluir o seu dia de trabalho. Deste modo os ricos se fartavam e alguns até se em­briagavam, enquanto os pobres perma­neciam famintos (v.21).
Os ricos falharam por não entende­rem que a comida era a “Ceia do Senhor”, e não a sua própria ceia.

Paulo continua a explicar com mais detalhes por que a Ceia é realmente do Senhor. Ele argu­menta com os ricos de várias maneiras, instruindo-os a comer e beber em sua própria casa, se tiverem fome, antes do horário marcado para o jantar e a cele­bração da Ceia do Senhor na igreja, ao invés de comer sua própria ceia na reunião e deixar pouco ou nada para os outros (v.21). Por sua conduta imprópria eles “desprezavam a igreja de Deus e enver­gonhavam os que nada tinham” (v.22). Paulo está dizendo a mesma coisa de dois modos diferentes.

1) Estão mostrando desprezo pela Igreja, pela maneira como humilham os outros cren­tes; sua conduta não está sendo motivada pelo amor, mas por interesses pessoais; as ceias eram qualquer coisa, menos “ban­quetes de amor” ou “festas de caridade” (Jd 12).

2) Fracassam por não praticarem a comunhão (que significa ter união e compartilhar), que é um dos principais aspectos da Ceia do Senhor.

PAULO RECEBEU A INSTRUÇÃO DIRETAMENTE DO SENHOR SEM INTERMEDIÁRIOS

Os versos 23-26 lidam com a institui­ção da Ceia do Senhor. O que Paulo diz sobre o assunto é que aquilo que ele “re­cebeu “do Senhor”, tam­bém “ensinou” aos coríntios. Os dois verbos usados aqui demonstram uma linguagem tradicional. O sujeito “eu” é enfático - “eu mesmo”. Paulo pode ter vindo a conhecer alguns fatos sobre a última Ceia por meio do relato de outros, mas sua interpretação a este respeito provavelmente tenha vindo diretamente do Senhor. Tal comunicação direta e sem intermediários com o Senhor não era lhe desconhecida (At 18.9,10; 22.18; 23.11; 27.23-25; 2Co 12.7-9; Gl 12; 2.2). Ele fala da noite em que Jesus foi traído; parece se referir principalmente à traição de Judas. Mas Paulo usa também este verbo quando diz que Jesus “por nossos peca­dos foi entregue…” (Rm 4.25) e que Deus entregou Jesus por todos nós (Rm 8.32; cf. também Gl 2.20).

- Jesus “tomou o pão; e, tendo dado gra­ças, o partiu” (vv.23-24). Lucas usa esta mesma palavra como ação de graças nos sinópticos; Mateus e Marcos usam o termo “abençoar”. A diferença dos verbos não é significativa, já que a bênção judaica sobre o pão da Páscoa e sobre o vinho era uma expressão de ação de graças a Deus. A menção da ação de graças é a razão pela qual alguns cristãos preferem chamar esta observância de Eucaristia.

O PÃO E O CÁLICE

A frase “Isto é o meu corpo” (como também “Este é o meu sangue”) se qualifica como uma das passagens mais vigorosa­mente debatidas em todas as Escrituras, que variam desde a interpretação dos católicos romanos de uma transubstan­ciação, até a visão de Zwinglio de que a Ceia é simplesmente uma recordação da morte de Jesus. Estas declarações devem ser entendidas metaforicamente. O pão representa o corpo de Jesus, e o cálice representa o seu sangue. Morris obser­va corretamente que o gênero do pro­nome demonstrativo “isto” no verso 24, é neutro, enquanto a palavra pão é mas­culina. Jesus, então, não poderia estar dizendo: “este pão é literalmente o meu corpo”. Pode se referir à ação inteira, como o segundo isto faz neste verso (58), de acordo com a frase “fazei isto em me­mória de mim”.

- Paulo então acrescenta duas declara­ções importantes a respeito de Jesus. O corpo de Jesus, representado pelo pão, é partido “por vós”. A preposição é freqüentemente usada em cone­xão com a morte sacrificial de Jesus. Seu significado básico é “em lugar de, por causa de”; Jesus morreu por nós, em nosso lu­gar. Além disso, Ele disse “fazei [continu­em fazendo] isto em memória de mim” (veja também v.26). Ao participarem da Ceia do Senhor, os crentes devem recordar o significado de sua morte e serem edificados, por fazê-lo. Mas note que Jesus disse “em memória de mim”, e não “em memória de minha morte”. Robertson e Plummer (246) sugerem que isto inclui o fato de lembrar-se também de sua ressurreição, implicando que o memorial deveria ser observado no primeiro dia da semana. Esta recordação é mais que um exercício in­telectual; envolve “uma percepção [expe­riência] daquilo que é lembrado” (Bruce, 111). A Páscoa judaica era uma ocasião para recordar a libertação que Deus dera a seu povo (Êx 12.12; 13.9; Dt 16.3); no­tamos novamente que Cristo, em sua morte, é a nossa Páscoa 2Co 5.7.

- Muito do que foi dito a respeito do pão aplica-se igualmente ao cálice. Mas é sig­nificativo observar que Jesus não disse “Este cálice é o meu sangue”, mas, “Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue” (v.25). A doutrina da transubstanciação dificil­mente seria capaz de explicar como “este cálice” (que é na realidade uma metonúnia (metáfora/comparação), significando “o conteúdo deste cálice”) pode ser literalmente transformado em uma aliança (ou Testamento) - a nova alian­ça (ou o Novo Testamento). O Antigo Testamento previu uma nova aliança que substituiria a antiga Jr 31.31-34; Ez 36.25-­27; d. Hb 8.7-13; 9.18-20). A antiga ali­ança foi instituída por meio de um sacri­fício, “o sangue do concerto” (Êx 24.5-8). Da mesma forma, a nova aliança foi inau­gurada por meio do sangue de Cristo.

Fontes:
HENRY, Matthew - Comentário Novo Testamento
PEARLMAN, Myer - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia
Comentário Bíblico Pentecostal - Novo Testamento

Publicado no blog EBD.net

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